terça-feira, 23 de maio de 2017

A gula de Catarina


Parece que o país atingiu o paraíso. O défice menor de sempre, os 2,8% do crescimento da economia, o desemprego a crescer, e por aí adiante. António Costa anda outra vez sorridente e o presidente Marcelo lá continua pela Croácia ou pelo Mónaco como o vendedor de ilusões.
É claro que há todo o interesse por parte dos do costume (incluindo muitos das instituições europeias) insistirem nesta manipulação das mentes vulgares, ou seja, nesta “vigarice” – apesar de haver ainda muito gatuno á solta!
Quem sabe a tabuada, sabe que este défice se deveu à grande carga de impostos e sabe ainda que os 2,8% se devem exclusivamente ao turismo! Aconteceu! Devido às circunstâncias exteriores que desviaram o turismo dos destinos habituais devido ao terrorismo. Porque a governança nada fez em termos de reformas para que tal acontecesse com consistência.
Mas o mais caricato deste foguetório, são sempre as declarações da artista de teatro, a dona Catarina. Disse: O país mudou!
De facto, mudou para continuar na mesma. O governo é composto por 50% dos elementos que nos levaram à BANCARROTA em 2011, e o bolso dos portugueses está certamente igual (nalguns casos pior) a 2011!

Prémio Literário 'António Cabral'

                O Grémio Literário Vila-Realense acaba de anunciar a abertura da edição de 2017 do Prémio Literário 'António Cabral'.
                Ver, anexo, o Regulamento respectivo.

 

Grémio Literário Vila-Realense
Câmara Municipal de Vila Real

Prémio Literário ‘António Cabral’
Regulamento

            1. O Município de Vila Real, por proposta da Assembleia Municipal, aprovada por unanimidade e aclamação na sessão de 26 de Fevereiro de 2010, cria o Prémio Literário ‘António Cabral’, que se rege pelo seguinte articulado.
            2. O Prémio Literário ‘António Cabral’ tem uma periodicidade bienal, com início em 2011.
3. A modalidade a concurso é a Poesia.
            4. São admitidos unicamente originais em língua portuguesa.
            5. Os trabalhos serão obrigatoriamente inéditos, devendo os respectivos Autores enviar, juntamente com a documentação referida no ponto 9, uma declaração atestando que nenhum dos poemas que apresenta foi algum dia publicado sob qualquer forma (livro, jornal, revista, internet, etc.).
            6. Os originais terão um mínimo de 400 versos, distribuídos por qualquer número de poemas.
            7. Cada concorrente não poderá apresentar-se a concurso com mais do que um original.
            8. Os originais devem ser enviados até ao dia 1 de Agosto de 2017 para:

Grémio Literário Vila-Realense
Rua Madame Brouillard
5000-573  Vila Real

            9. Os originais devem ser apresentados sob pseudónimo e enviados em triplicado, acompanhados de um sobrescrito fechado, em cujo exterior conste unicamente o pseudónimo e que contenha no interior as seguintes indicações: pseudónimo, identificação do autor, morada e telefone, bem como a declaração constante do ponto 5.
            10. Os originais serão apreciados por um júri constituído por três pessoas devidamente qualificadas, uma das quais representando o Grémio Literário Vila-Realense.
11. O júri, de cujas decisões não cabe recurso e que decidirá sobre os casos omissos no presente Regulamento, dará o seu veredicto dentro de 60 dias sobre o prazo referido no ponto 8.
            12. Será atribuído um único prémio, no valor de 5.000 €, estando excluída a atribuição ex aequo por mais de um vencedor.
            13. Os concorrentes obrigam-se a aceitar o presente regulamento.
            14. O Município de Vila Real, através do Grémio Literário Vila-Realense, divulgará amplamente a abertura do Prémio Literário ‘António Cabral’ através da Comunicação Social.
            15. O prémio será entregue ao vencedor em sessão promovida para o efeito pelo Grémio Literário Vila-Realense.
16. O Prémio Literário ‘António Cabral’ poderá ser declarado deserto se o Júri entender que nenhum dos originais reúne qualidade suficiente.
17. Os originais não premiados não serão devolvidos, sendo destruídos uma semana após o anúncio do trabalho vencedor.

Poemas simples

"Não é possível sair deste livro indiferente a um universo poético feito de raízes num solo de afetos fecundo, muito produtivo e muito belo , (bem patente em poemas como “Farol” (p.48), “Mãos pequenas” (55), “Poema simples para o meu filho” (p.56). 
Impossível ser indiferente a uma ideia de fé que oscila no espaço do poema entre a luz e a sombra. Veja-se (a fechar o livro, não por acaso, certamente, a fechar o livro, o poema “Oração”, que procura uma aproximação ao divino que é também um apelo ao próprio aperfeiçoamento e crescimento humanos. 

Impossível sair deste livro indiferente à imensidão magistralmente condensada nas cartas aos filhos:
«1. Carta ao meu filho que está longe:
Entre nós existe um silêncio tão florido
Que choro pétalas.»
«2. Carta ao meu filho que está perto:
Com as pétalas que me caem dos olhos
Desenhas os caminhos mais bonitos.»
Deixei propositadamente para o final uma impressão sobre os desenhos do Bernardo, a ilustrar este "Poemas simples para corações inteiros". Deles direi que, muito para além da forma que o traço lhes imprime, (já com muita precisão), o que os torna mais bonitos e comoventes é a cumplicidade adivinhada entre pétalas que caem de uns olhos de mãe e os caminhos, como promessa, que só uma criança é capaz de vislumbrar, sejam quais forem as circunstâncias."

Lídia Borges
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Virgínia do Carmo nasceu em França, em 1973, mas o seu sangue é transmontano. É licenciada em Comunicação Social, tendo exercido jornalismo no início da sua vida profissional. Nos últimos anos o seu trabalho vem-se concentrando no mundo dos livros, primeiro como livreira e agora como editora no projecto Poética Edições.
Antes de “Poemas simples para corações inteiros” publicou as obras “Tempos Cruzados” (poesia, Pé de Página Editores, Coimbra, 2004), “Sou, e Sinto” (poesia, Temas Originais, Coimbra, 2010), “Uma luz que nos nasce por dentro” (contos, Lua de Marfim Editora, Lisboa, 2011) e “Relevos” (poesia, Poética Edições, Setembro de 2014).

Parceria do espaço Miguel Torga



 CÂMARA MUNICIPAL DE VILA REAL
Grémio Literário Vila-Realense

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Festa da Ascensão do Senhor, no Monte Farinha

 
Por: Costa Pereira Portugal, minha terra
 

É certamente a festa mais antiga que se celebra no Monte Farinha, embora a romaria de São Tiago também seja antiga e sempre mais animada, até por que  “pelo São Tiago apinta o bago”.  Ainda conheci muito bem a celebração da festa, em 5ª-feira de Ascensão, e do ditado nunca mais me esqueci: “Da Páscoa à Ascensão 40 dias vão”. Deixou de se festejar no dia, por não ser feriado passando a festa para o domingo seguinte, era regra festejar-se na decima-quarta  quinta-feira da Páscoa.  Em Portugal essa dia tornou-se popular e também conhecido como “Festa da Espiga”. 
Mas como festa cristã é designada por Festa da Ascensão, pois comemora a Ascensão de Jesus ao Céu. Tratasse de uma das festas ecumênicas, das que são comemoradas em todas as igrejas cristãs, a par da Semana da Paixão, a Páscoa e o Pentecostes. Agora com sua data fixada a 25 de Maio, a Quinta-feira da Ascensão do Senhor, este ano vai ser celebrada no Monte Farinha precisamente no domingo em que tem vindo a festejar-se ali esta festividade: ultimo domingo de Maio. Foi uma graça em ano do centenário das Aparições em Fátima. E aí temos nós as duas imagens.

Os três milagres de Fátima: Religião, música e futebol


BARROSO da FONTE
«O 13 de maio ainda é o que era. Se calhar, nunca foi tão avassalador como este. O centenário das aparições em Fátima na presença do Papa? Benfica a caminho de um inédito tetra? Salvador Sobral na iminência de mais um brilharete no Festival da Eurovisão? Tudo a 13 de maio? Os três F (futebol, fado e Fátima) de outros tempos reganham força em 2017, só com uma pequena substituição musical. Os portugueses vão voltar a estar bem entretidos neste sábado, com vários tipos de emoções ao rubro, de manhã, ao final da tarde ou à noite. Assim não se perde pitada».
Esta questão foi colocada por Gonçalo Palma, ao meio dia de 12 do corrente, no seu blogue. Na noite do dia 13,  tudo se tinha cumprido: Fátima foi o palco mundial, dignamente programado, os dois mais jovens Santos da Igreja Católica, foram canonizados na terra em que nasceram, o Papa regressou, sem qualquer incidente; e os dois feitos naturais que se seguiram nesse mesmo dia - : a vitória do «tetra» para o Benfica e o triunfo de Salvador Sobral, no festival da Eurovisão, foram tão surpreendentes que levaram muita gente a interrogar-se sobre se tão invulgares sucessos, na mesma data, ato contínuo à despedida do Papa Francisco, ainda naquele clima emocional do Santuário Mariano, não seriam sinais (ou hierofanias = manifestações) do divino.
Não sou teólogo, não sou exemplo para ninguém sobre a minha religiosidade, sou crente, a religião que professo dá resposta às minhas dúvidas e, depois de tantos fracassos pessoais e comunitários, sempre esperei que um dia fosse surpreendido por qualquer sinal, vindo do alto.
 Mais me convenci deste sortilégio pela paz interior que as imagens de Fátima me tocaram: a felicidade de ver tanta gente, irmanada, vinda de tão longe e em condições tão adversas, que nenhum conselheiro humano, por mais convincente que fosse, seria capaz de exercer em mim ou noutros como eu, influências tão fortes e tão generosas. O fato de ver e ouvir o Bispo de Fátima, António Marto, anfitrião dessa moldura humana, sendo ele um Transmontano (de Tronco, Chaves), que foi meu condiscípulo seis anos (entre 1957 e 1962) reconfortou-me tanto, esse orgulho telúrico e humano que eu próprio partilhei essa gratidão interior que terá sido extensiva aos antigos alunos do Seminário de Vila Real.
 Recordo aquilo que essa minha geração viveu. Por sermos oriundos de famílias numerosas e sem rendimentos, não podíamos optar pelos liceus e escolas públicas. A alternativa eram os seminários. Essa diferença social refletia-se pela vida fora. A classe livre e a classe pobre. Aquela refugiava-se na liberdade de nada lhe faltar para «cultivar» o sinal distintivo que os superiorizava no estatuto académico e profissional. Esta sujeitava-se à seleção natural: uns «marravam», eram zelosos e impunham-se pelo saber e pelo cumprimento rigoroso da disciplina interna. Outros transigiam e, aqui ou ali, davam sinais de insegurança pelo que iam abandonando.
Pertenci a este número. Mas nunca me arrependi, antes mantive pela Instituição, pelos professores e, sobretudo pelos meus condiscípulos, total solidariedade, admiração e respeito.
Gilberto Canavarro Reis,(1951), Amândio Tomás (1955) e António Marto (1957) prosseguiram estudos e ascenderam, por mérito próprio, a Bispos. Ainda estão todos vivos e, felizmente, com saúde. São o nosso orgulho, como tantos outros que ocuparam altos cargos na Jurisprudência, nas cátedras universitárias, na administração de empresas, no funcionalismo e até na política ativa. Nenhum de nós tem complexos de inferioridade. Antes prestigiaram sempre, a Instituição que nos preparou para a vida e à qual anualmente regressamos, no 3º Sábado de Maio. Sempre que um antigo aluno aparece em público e o localizamos, logo torcemos por ele, para o bem ou para o mal. Felizmente, como agora aconteceu, com o Doutor António Marto, ao vê-lo a abraçar o Papa Francisco e a falar para cerca de um milhão de presentes e a muitos milhões de católicos de todo mundo. Aquele sotaque e aquele sorriso que as televisões mostraram, é como se aquele fortíssimo abraço ao Papa e ao mundo também fosse nosso. Eles nos representam. Nós deles nos orgulhamos!
 Mas não devemos confundir a religião com o clubismo. A festa do Benfica é trivial. Venceu, justamente, mais um campeonato. E ainda há-de vencer mais. Mas, embora as televisões tenham ofuscado a grandiosidade do 13 de Maio, com o Tetra do «Benfiquismo», nada de comparável com a universalidade de Fátima. E nem sequer com a Vitória, mais que merecida de Salvador  Sobral, no Festival de Eurovisão. Este feito foi enorme, já tardava e tudo o que se possa confundir com mais um milagre de N. Senhora de Fátima é pura fantasia. Aceita-se enquanto modelo de grandeza e de pioneirismo. Entre 1956 e 2017 já houve 61 festivais da canção. Este que ocorreu dia 13 de Maio, foi pura coincidência. Mas para Portugal valeu – isso sim – por termos andado mais de meio século a brincar aos festivais da canção. Salvador Sobral e a irmã Luísa, venceram pela sua simplicidade, pela certeza de que fizeram o melhor que sabiam e, perante 18 países a atribuírem a classificação máxima a Portugal, foi feito que nunca qualquer outra canção ou outro qualquer país concorrente havia conseguido. E por isso valeu a pena.
   Trago este tema à praça pública para glorificar as consciências que andam empedernidas, açaimadas e raivosas, na tentativa de branquearem o que foram, o que são e o que valem. Em qualquer parte do planeta como em Terras de Barroso.

                                                                           

A Hora da Partida - ANGOLA (1974 / 1975)

PONTE AÈREA EM 1974 / 75
 
 

A Hora da Partida
ISBN: 9789898816566
Edição ou reimpressão: 04-2017
Editor: Verso de Kapa
Idioma: Português
Dimensões: 166 x 233 x 15 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 192


Sinopse - WOOK


Este livro relata o maior êxodo de portugueses e uma das mais impressionantes fugas da história mundial. Entre 1974 e 1975, mais de meio milhão de pessoas que viviam nas ex colónias portuguesas deixaram tudo para fugir à guerra. Para trás ficaram as casas, os bens, os empregos, os animais, os sonhos e, para muitos, até a família. A maioria veio de Angola, na ponte aérea criada para esse efeito, uma das maiores de sempre. Muitos outros fizeram-se ao mar, de traineira, até Portugal ou ao Brasil, ou, em caravanas automóveis, desafiaram o calor e o pó do deserto da atual Namíbia.
Alguns atravessaram um dos locais mais inóspitos de África, a Costa dos Esqueletos. Há mais de 40 anos, a esta hora, muitos portugueses, já com o rótulo de «retornados», lutavam pela sobrevivência e pela reconstrução de uma nova vida em Portugal. São os intensos relatos de todas estas vivências, contados na primeira pessoa, que foram resgatados para este livro.


Catarina Canelas  nasceu em Lamego, em 1979. Estudou Comunicação Social na Universidade do Minho e iniciou-se no jornalismo em 2003, na TVI. Em 2005, a curiosidade pelo Oriente levou-a até Macau, onde foi jornalista na TDM - Rádio Macau durante quase três anos. Durante esta estada pela Ásia fez também reportagem na Malásia e viajou pela China, Birmânia, Tailândia, Singapura, Índia e Japão. De regresso a Portugal, voltou a trabalhar para a TVI, sobretudo em temas de relevância social e tem-se dedicado também à grande reportagem. É autora de «Um Lar Debaixo da Ponte», premiado com menção honrosa pela AMI, «A Senhora Dança?» e, recentemente, «O Lugar Onde Eu Fiquei», o trabalho que inspirou este livro.

55 - Antologia CTMAD - António Martinho Baptista

VALE do CÔA

António Martinho do Carmo Baptista (Alter do Chão,1950).
Licenciado em História desde 1975 pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.Dedicado desde 1970 à actividade arqueológica, realizou inúmeros trabalhos de formação e investigação no país e no estrangeiro. Integrou desde 1972 as equipas encarregues pelo Estado do levantamento arqueológico da arte rupestre do Vale do Tejo. Coordenou mais tarde os levantamentos arqueológicos da arte rupestre do Guadiana na área do Alqueva e bem assim os da Arte do Côa, desde 1995 até à actualidade. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian e do Estado em várias acções de formação e investigação em arte pré.histórica. Foi igualmente bolseiro do Deutschen Akademischen Austauschienstes, em 1975 e 1977, na antiga Alemanha Federal.
Entre Julho de 1979 e Maio de 1997 foi arqueólogo do Parque Nacional da Peneda-Gerês, aqui tendo criado e coordenado o respectivo Departamento de Arqueologia e realizado a Carta Arqueológica desta área protegida.
Entre Maio de 1997 e Abril de 2007 foi Director do Centro Nacional de Arte Rupestre (CNART), sediado em Vila Nova de Foz Côa. Foi entretanto professor convidado da cadeira de Arte Pré e Proto-Histórica da Universidade do Minho. É actualmente director do Parque Arqueológico do Vale do Côa/Museu do Côa.
É membro de várias agremiações de natureza científica e associativa. É membro do Comité de Arte Rupestre do ICOMOS desde 2004.
Participou em inúmeros congressos, colóquios, seminários e encontros de natureza científica em Portugal e no estrangeiro, quer no domínio da arqueologia e arte rupestre, mas também no da defesa do património e ambiente. Tem sido orador convidado em várias universidades portuguesas e estrangeiras.


Fez parte do Grupo de Trabalho criado pelo Ministério da Cultura em 2002 para a realização do Museu do Côa, inaugurado em Julho de 2010. Coordenou a redacção do guião museológico deste Museu, tendo sido seu co-orientador científico.
É autor de uma vasta obra científica, em especial no domínio da arte pré-histórica e muito em particular relativamente à arte do Côa. Da sua bibliografia destacam-se os dois volumes dedicados à arte do Côa: "No Tempo sem Tempo, A Arte dos Caçadores Paleolíticos do Vale do Côa", Ed. do PAVC, 1999; e "O Paradigma Perdido. O Vale do Côa e a Arte Paleolítica de Ar Livre em Portugal"", ed. bilingue (Port./Ing.), Ed. Afrontamento/PAVC, 2009.

domingo, 21 de maio de 2017

Uma antologia pouco tradicional


Este volume em preparação, já ultrapassa, em muito, o previsto. Continuamos, contudo, a receber ofertas de colaboração/participação até ao dia acordado nas linhas orientadoras.

Segue lista actualizada:

A. Passos Coelho - VILA REAL

A.M. Pires Cabral – MACEDO de CAVALEIROS / VILA REAL

Adérito Silveira – VILA REAL

Adriano Moreira – MACEDO de CAVALEIROS

Aires Diniz- MOÇAMBIQUE / GUARDA

Alberto Correia - SERNANCELHE

Alexandre Parafita - SABROSA

Alfredo Cameirão – MIRANDA do DOURO

Álvaro Leonardo Teixeira - MONCORVO

Anabela Dinis Branco de Oliveira – AVEIRO / VILA REAL

Antero Neto - MOGADOURO

António Bárbolo Alves - MIRANDA do DOURO

António Borges Coelho - MURÇA

António Calado - BRAGANÇA

António Castro - MOGADOURO

António Correia – RESENDE

António Felgueiras - MOGADOURO

António Fortuna - MOGADOURO

António Lopes (António Sá Gué) - MONCORVO

António Lourenço Fontes (Padre)- MONTALEGRE


António Modesto Navarro – VILA FLOR

Balbina Mendes - MIRANDA do DOURO

Bernardino Vieira de Oliveira – MESÃO FRIO

Carlos Carvalheira – TRANCOSO / MONCORVO

Carlos D’Abreu – MONCORVO


Carlos Seixas - MONCORVO

Catarina Canelas - LAMEGO

Cláudio Amílcar Carneiro – MACEDO de CAVALEIROS

Cristina Torrão – CASTELO de PAIVA

Daniel Conde

Dinis Costa - MURÇA

Donzília Martins - MURÇA

Edite Estrela – CARRAZEDA de ANSIÃES

Ernesto Areias - VALPAÇOS

Ernesto Rodrigues – MIRANDELA

Eurico Carrapatoso - MIRANDELA

Faustino Antão - MIRANDA do DOURO

Fernando  Gouveia

Fernando de Castro Branco - MIRANDA do DOURO

Francisco José Lopes – ALFÂNDEGA da FÉ

Gilberto Pinto – CARRAZEDA de ANSIÃES

Gilda Santos – BRASIL / CARRAZEDA de ANSIÃES

Guida Nunes VILA REAL


Henrique Pedro - MIRANDELA

Hirondino Fernandes - BRAGANÇA

Isabel Alves - MURÇA

Isabel Mateus – REINO UNIDO / MONCORVO

Isaque de Jesus Neves Barreira (Jorge Tuela) - VINHAIS

J. Costa Pereira – MONDIM DE BASTO

J. Rentes de Carvalho PORTO / MOGADOURO / HOLANDA

J. Ribeiro Aires – VILA REAL

João Barroso da Fonte - MONTALEGRE

João de Deus Rodrigues – MACEDO de CAVALEIROS

Joaquim Calheiros Duarte - ARMAMAR

Joaquim Correia Duarte - RESENDE

Joaquim do Nascimento - SÃO JOÃO DA PESQUEIRA

Jorge Abreu Vale- MONCORVO

Jorge Castro – PORTO / MIRANDA do DOURO

Jorge Golias - MIRANDELA

Jorge Lage - MIRANDELA

Jorge Laiginhas - ALIJÓ

Jorge Valadares - CHAVES

José Carlos Corte Real – SÃO JOÃO DA PESQUEIRA

José Paulo Almeida Francisco

José Pombo - TABUAÇO

José Teixeira da Silva – MONDIM de BASTO


Lúcia Verdelho da Costa – SUIÇA / MIRANDELA

Luís Castanheira - VINHAIS

Luís Fernandes (João Habitualmente) – PORTO / Carrazeda de Ansiães / Mirandela

Luís Vale -PORTO / BRAGANÇA

M. Hercília Agarez – VILA REAL

Manuel Ambrosio Sanchéz - SALAMANCA

Manuel Cardoso – MACEDO de CAVALEIROS

Manuel Gouveia – ALFÂNDEGA da FÉ

Manuel Igreja -  ARMAMAR

Manuel Pires   - FREIXO de ESPADA à CINTA

Manuela Morais - MURÇA


Maria dos Anjos Pires – VILA REAL

Maria Idalina Brito (Lara de Léon) - MONCORVO

Maria Isabel Viçoso - CHAVES

Maria José Quintela – VILA REAL


Maria Otília Lage – CARRAZEDA de ANSIÃES

Norberto Veiga – ALFÂNDEGA da FÉ


Paula Seixas Oliveira – VILA REAL

Paulo Cordeiro Salgado - MONCORVO

Pedro Almiro Neves

Raquel Serejo Martins - VALPAÇOS

Renato Roque – PORTO / MIRANDA do DOURO


Ricardo Augusto Costa – SÃO JOÃO da PESQUEIRA

Rosalia Vargas - BRAGANÇA

Silvino Potêncio – BRASIL / MIRANDELA

Telmo Verdelho - MIRANDELA

Teófilo Minga – VIMIOSO

Tiago Patrício - FUNCHAL / MONCORVO


Eles e Nós


Vasco Pulido Valente - OBSERVADOR

Quando, no sábado passado, Salvador Sobral ganhou o Festival da Eurovisão, toda a gente começou a dizer que “nós tínhamos ganho”, que “nós éramos os melhores” e mesmo “os melhores dos melhores”. Nem o Presidente da República, nem o primeiro-ministro escaparam a esta absurda identificação. Pior ainda: indivíduos sem a mais leve autoridade na matéria não se coibiram de explicar publicamente a natureza e qualidades da música de Luísa Sobral que acharam “simples” (não é), “diferente” (de quê?) e com tanto “sentimento” que ia “directa ao coração” (um comentário idiota e nulo). Ora, como se sabe, “nós” como entidade colectiva não contribuímos coisíssima nenhuma para o sucesso de Salvador Sobral e da irmã, e nada nos permite usar esse sucesso como pretexto para uma nova sessão de gabarolice nacionalista, que só a consciência da nossa mediocridade e da nossa miséria justifica e provoca.
Os portugueses precisam de sinais de uma importância e de uma grandeza que a realidade lhes nega. E porque sofrem dia a dia com a realidade qualquer pequena distinção lhes serve para se evadirem dela: a selecção de futebol ganha o campeonato da Europa (nós somos formidáveis); Guterres, que falhou tristemente aqui, é eleito Secretário-Geral da ONU (nós somos superiores); Salvador e Luísa Sobral ficam em primeiro lugar no Festival da Canção (nós somos logicamente incomparáveis). Isto mata. Não quero dizer que não se deva retirar um certo orgulho e um certo consolo de proezas como a de Kiev. O que digo é que o patriotismo português não se manifesta senão por transferência para um ocasional herói ou grupo de heróis. Não se manifesta porque não pode pela satisfação com o sistema de justiça, ou com a estabilidade das finanças do Estado, ou com o crescimento da economia, ou com o exemplar ordenamento das cidades. Sem diminuir o mérito dos nossos heróis, que é deles e não nosso, era bom começar por pedir que nos déssemos a nós próprios o que nos falta e o que merecemos. A expressão “Portugal está na moda”, que o cavaquismo inventou, é um símbolo do nosso fracasso; a glória reflectida nunca ajudou ninguém.

*

Só sexta-feira à noite percebi o que se estava a passar. O Presidente Marcelo, o primeiro-ministro, o presidente da Assembleia da República e a própria Assembleia enlouqueceram com Salvador Sobral. Não há a menor dúvida. E, para quem ainda duvide, basta ligar a televisão. Não me lembro de ver um espectáculo remotamente parecido (a Câmara dos Comuns, por exemplo, a aplaudir de pé Gardiner, Simon Rattle ou os Beatles). O populismo da classe dirigente portuguesa, toda ela, nunca desceu tão baixo. A pressa em roçar-se pela fama de um pobre cantor indefeso e desarmado mostra bem quem é esta gentinha da política, que Portugal inteiro despreza. Por um voto e um pouco de presuntiva simpatia, roubada ao próximo, vende unanimemente a sua dignidade e a dignidade das suas funções. O carácter, para ela, não passa de uma ficção. Agora sabemos quem nos governa.