quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

A crise está a caminho !

"Não quero excluir a existência de desonestidade e de conspirações, mas não creio que tenha sido a característica fundamental do caminhar para a crise", diz Michael Ash DR
ENTREVISTA
O economista norte-americano Michael Ash alerta que tanto as regulações como os desequilíbrios económicos actuais são semelhantes aos vividos antes da crise de 2007/2008.

2 de Novembro de 2017
  Foto
Uma nova crise financeira internacional, ao estilo da vivida há uma década é neste momento provável, alerta Michael Ash, professor na Universidade de Massachusetts. O economista norte-americano juntou-se este ano a Francisco Louçã, economista e ex-líder do Bloco de Esquerda, para lançar o livro “Sombras - A Desordem Financeira na Era da Globalização”. Nessa obra, traça-se um cenário pessimista em relação à forma como os mercados continuam desregulamentados e ensaia-se uma explicação para o facto de, mesmo depois da crise, pouco ter mudado.
Tivemos depois da crise muitas intenções de aumentar a regulação, de evitar que os bancos fiquem grandes demais. Mas, agora, passados 10 anos, é pouco evidente que tenha havido mudanças significativas. É mesmo assim?
Não é um mau resumo da situação. As pessoas ficaram chocadas que fosse possível que se verificasse uma crise com a dimensão e profundidade da de 2007/2008. A crise trouxe muitas dificuldades a um número muito significativo de pessoas e as suas origens e causas foram muito claras, nomeadamente a desregulação da banca e a crescente desigualdade. No entanto, espantosamente, desde a crise nada mudou. Acabámos por ficar muito aquém do desejável na tentativa de regular o sistema financeiro e ainda tivemos uma resposta à crise económica e financeira que pareceu ser uma coisa mais saída do final dos anos XIX do que do século XX ou XXI. Foi uma resposta de austeridade, de deixar os Estados liquidarem-se lentamente em vez de intervirem de formas que no passado tiveram um sucesso evidente.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Assembleia Geral na Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro - LISBOA


Cara(o) Consócia(o),

Em cumprimento do que está estipulado nos Estatutos da CTMAD em anexo segue a Convocatória elaborada pela Assembleia-Geral, bem como, os documentos necessários para vossa apreciação, análise e votação na próxima AG do dia 31 de Janeiro de 2018.
Por outro lado, e sobre o Plano de Atividades para 2018, importa salientar que a data prevista para a realização da Festa do Folar e do Azeite, não é o dia 08 de Abril, mas sim o 25 de Março de 2018, uma vez que este ano a Páscoa é dia 01 de Abril.
Qualquer dúvida ou esclarecimento, estamos à vossa inteira disposição!
Por uma questão de transparência, salienta-se que esta Direção entendeu enviar com 15 dias de antecedência as Contas de 2017 para que, com  tempo, possam ser analisadas, em vez de serem afixadas na Secretaria no dia da AG!
Saudações Transmontanas Durienses,
                Hirondino Isaías                       
                   919 674 044
Saudações Transmontanas e Durienses

**************************************************

Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro

Campo Pequeno, 50 - 3º Esq.
1000-081 Lisboa



mapa: jornal de informação crítica




CAMPANHA CROWDFUNDING
JORNAL MAPA  

APOIA A INFORMAÇÃO CRÍTICA

em https://ppl.com.pt/prj/mapa
Legendas disponíveis em inglês, castelhano, francês, alemão e holandês.

O QUE É
O MAPA é um projeto de informação crítica que edita, trimestralmente, o jornal MAPA em papel e anima o site jornalmapa.pt. Foi fundado em 2012 e desde então publicou 18 edições, tendo começado com apenas 16 páginas e chegando hoje às 48.
Notícias, reportagens, ilustrações, factos e opiniões, a partir de uma perspetiva livre e, portanto, longe da esfera de influência de partidos políticos ou grupos económicos de qualquer cor ou sabor. O MAPA propõe nas suas páginas o desenvolvimento da crítica enquanto alimento e incentivo do pensamento e de práticas de autonomia e liberdade em todos os aspetos da vida. Um jornal gerado a partir de um coletivo de diversidade libertária, que vê na informação uma ferramenta para a transformação social, e num projeto de informação a criação de uma alternativa consistente aos espaços informativos dominantes em Portugal, ligados, na sua maioria, a grandes interesses políticos e as grandes corporações de media.
O MAPA é uma ferramenta na divulgação das ideias e dos debates que se desenvolvem em torno de lutas sociais, ambientais e económicas, que nascem na sociedade portuguesa e no resto do mundo.
Nas suas páginas têm presença habitual temas estruturantes da atualidade, como as transformações e os processos destrutivos do território rural e natural, as implicações ecológicas e sociais dos modelos de desenvolvimento, como o energético e alimentar, impostos aos habitantes deste planeta, a violência policial, o controlo do Estado sobre os cidadãos, as cidades e o espaço urbano. O MAPA é um canal de comunicação mas também um território de resistência em tempos de guerra.
COMO FUNCIONA
O projeto é pensado e gerido por um coletivo editorial que se organiza de forma horizontal e através da Associação Mapa Crítico, onde o uso dos recursos online são essenciais dada a dispersão geográfica dos seus elementos. É em assembleia que são tomadas as decisões sobre o que publicar e como organizar as edições e toda a estrutura. No MAPA o trabalho é voluntário, seja ao nível das colaborações, como a escrita de artigos, ilustração, fotografia e design, seja ao nível da distribuição e a gestão do projeto em papel e na web. O coletivo segue também um modelo aberto em que propostas podem ser apresentadas vindas de leitores, da sua comunidade de apoiantes ou do público em geral.
DO QUE PRECISAMOS
O financiamento provém maioritariamente do sistema de assinaturas, de donativos e, numa parte mais reduzida, da venda direta de exemplares. Devido ao crescimento da sua estrutura (aumento do numero de colaboradores e da rede de distribuição) existe uma necessidade crescente de recursos e concretamente, de dinheiro. Após cinco anos, a conclusão é de que necessitamos de uma base sólida e permanente de financiamento para fazer face a este crescimento e à necessidade de continuar por muitos mais anos a publicar informação crítica.
Para fazer frente ao ano de 2018 necessitamos de 6000€. Estes custos, abaixo dos custos reais do projeto, são o limite inferior que garante a nossa sobrevivência e nos permitem planear, de forma confortável e segura, o futuro económico do projeto sem interromper a publicação do jornal.
As contas claras:
Comissão PPL: 516,60€
Impressão do jornal mapa: 3.564,21€ (65%)
Distribuição: 1.096,68€ (20%)
Custos fixos: 822,51€ (15%)
 

FOLHEIA O JORNAL ONLINE

Se queres conhecer melhor este projecto, no nosso website podes encontrar todas as edições anteriores e lê-las gratuitamente,AQUI.


O Homem que do lodo fez estrelas: Telmo Ferraz

CÂMARA MUNICIPAL DE VILA REAL
Grémio Literário Vila-Realense

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Olhar para os mortos, olhar pelos mortos - BEJA


O Núcleo Museológico da Rua do Sembrano promove, esta quinta-feira, 18 de janeiro, , a partir das 21h30, a conferência “Olhar para os Mortos. Olhar pelos mortos” que apresentará algumas reflexões sobre as práticas funerárias do 4º e 3º milénios a.C., no Sul de Portugal.
Partindo do registo arqueológico, discutir-se-ão as práticas funerárias, os gestos, as arquiteturas e os objetos ligados à Morte, no 4º e 3º milénios AC, no Sul de Portugal, refletindo sobre a centralidade crescente do universo funerário - nas suas múltiplas componentes - no processo de organização social das comunidades neolíticas e calcolíticas.
O investimento efetivo realizado na construção/uso/transformação dos monumentos megalíticos, os objetos que denunciam protagonismo social, os materiais que refletem uma complexidade simbólica crescente, a manipulação intensa dos restos humanos são alguns dos elementos usados nesta reflexão que permitem reconstruir o complexo papel da Morte e o papel ativo que os mortos possuem nas dinâmicas sociais, ao longo do 4º e 3º milénios AC, no Sul de Portugal.
Esta iniciativa está integrada no ciclo expositivo “Sob a Terra e as Águas – Porque há sempre novas histórias a contar…”. Assim, neste dia, também será inaugurada a exposição de arqueologia – Olhar o mundo há 5000 anos – uma organização da EDIA, Câmara Municipal de Beja e Direção Regional de Cultura, com o apoio da Associação de Defesa do Património de Beja.

Sobre a conferencista:

Mariana Diniz
Arqueóloga, doutorada em Arqueologia e Pré-História, docente do Departamento de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Sub-diretora do Centro de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa - UNIARQ e membro da Direcção da Associação dos Arqueólogos Portugueses

Para mais informações contacte

Câmara Municipal de Beja | Gabinete de Comunicação Integrada | T:284 311 800 | M: 96 96 60 250 | @: info@cm-beja.pt

‘Nunca nos renderemos!’

  

João Carlos Espada - OBSERVADOR

Aos amantes da liberdade, orgulhosamente patriotas, europeus e euro-atlânticos, Churchill disse em 1940: ‘Nunca nos renderemos!’

Sim, vi o filme na semana passada, mal chegou até nós. E, sim, vou ver mais vezes. E vou hoje voltar a escrever sobre Churchill. Há uma desprezível seita anti-Churchill que o insulta sistematicamente nos ‘sites’ abertos de comentários da imprensa. Devem essa liberdade a Winston Churchill.
Na sala de cinema não estava muita gente — embora uma longa fila esperasse depois cá fora para a sessão seguinte. Na minha sessão, havia três senhoras francesas. Tal como eu, viram o filme em permanente tensão, inclinadas para a frente, com as mãos nas faces. No fim, aplaudimos discretamente.
É um grande filme (com alguns episódios menos felizes) e, sobretudo, com grandes actores. Mas é sobretudo um grande filme para aqueles que amam a liberdade e sabem o que ela vale. Nem todos sabem o que ela vale. E muitos são feitos para servir. Sobretudo ‘aqueles que pedem à liberdade algo mais do que a própria liberdade’ , como alertou Alexis de Tocqueville.
Winston Churchill não foi feito para servir. E não pedia à liberdade mais do que a própria liberdade. Era um patriota orgulhoso da história da sua nação marítima e independente — da sua ilha, como refere várias vezes no filme. Era um falante de inglês, orgulhoso da história dos povos de língua inglesa, incluindo a grande democracia americana — sobre os quais escreveu o último dos seus 40 livros e ao qual dedicou cerca de 25 anos, sem nunca desistir.
E era também, crucialmente, um grande admirador da civilização europeia e ocidental — no seio da qual sempre entendeu a sua nação e os povos de língua inglesa. Cícero e Shakespeare, além da Bíblia, são as únicas referências citadas por Churchill no filme. Mas o filme podia ter acrescentado algumas passagens dos inúmeros discursos em que ele associou a defesa da sua ilha à defesa da civilização europeia e ocidental — contra as barbáries imperialistas nazi e comunista, que desencadearam em conjunto a II Guerra com a combinada invasão da nação Polaca em Setembro de 1939.
Tudo isto foi-me explicado por Karl Popper, com grande intensidade, há trinta anos, em 1988, quando o visitei pela primeira vez na sua casa em Kenley, ao sul de Londres. Agora, quando, em apertado silêncio, assistia ao filme sobre Churchill, era a voz de Popper, há 30 anos, que eu ouvia em surdina, sob a voz de Churchill no filme.
Popper vivia numa ‘cottage’ encantadora, com um belo jardim, que ele conservava imaculado. Tinha uma vasta biblioteca, onde apenas se encontravam os grandes livros e os grandes autores da civilização ocidental. Fiquei por isso surpreendido ao ver duas gigantescas prateleiras com livros de e sobre Churchill. E perguntei-lhe por que motivo tinha tantos livros sobre Churchill, tendo ele sido basicamente um político.
Popper olhou-me intensamente. Houve um silêncio. E, a seguir, mandou-me sentar com um gesto inquestionável. ‘Sente-se rapaz! Receio ter de lhe ensinar algumas coisas muito sérias!’
Eu sentei-me, perplexo. E escutei-o atentamente, por mais de uma hora. Foi uma lição magistral. Sobre Churchill e sobre como ele salvou a civilização europeia e ocidental da pestilência nazi e, depois, da comunista.
Popper, nascido em Viena, a seguir literalmente declamou sobre o ‘mistério dos povos de língua inglesa e o seu simultâneo empenho na liberdade e o seu sentido de dever’. E não se esqueceu de rematar: ‘Estou surpreendido que você não esteja a par de tudo isto pois o seu país tem a mais antiga e honrosa aliança com a Inglaterra, chamada Tratado de Windsor, assinado no século XIV’. (Mandou-me em seguida estudar em Inglaterra, o que eu felizmente cumpri).
Tudo isto eu recordei intensamente enquanto assistia intensamente ao filme sobre Churchill. Quando saí, vagueei errantemente à procura de organizar os meus sentimentos. Creio que são relativamente simples e muito pouco inovadores:
Existe uma civilização europeia e ocidental — o chamado ‘milagre europeu’, que distinguiu culturalmente e misteriosamente uma península europeia de uma massa continental euro-asiática.
Qual é a chave dessa misteriosa diferenciação?
Liberdade. Na Europa, nós não somos feitos para servir.
E, porque não somos feitos para servir, a civilização europeia cresceu com uma cultura comum — greco-cristã — mas sem um plano comum. A civilização europeia manteve uma matriz cultural comum sem um poder político central comum. É uma civilização de nações, em contraste com impérios não-europeus. Esta civilização estendeu-se além do atlântico e tem sido sustentada pela Aliança Atlântica, designadamente com a grande democracia americana.
Em suma: não venham agora vender-nos a troca da Aliança Atlântica por uma aliança euro-asiática, para não dizer euro-chinesa. E não venham vender-nos a ideia anti-europeia de que a defesa da Europa significa a hostilidade contra o sentimento nacional das orgulhosas nações europeias.
Aos amantes da liberdade, orgulhosamente patriotas, europeus e euro-atlânticos, Churchill disse em 1940: ‘Nunca nos renderemos!’

Educação, Política e Economia: Uma Relação Invertida


Image result for paulo guinote
Paulo Guinote - Jornal de Letras (JL)


Há mais de 20 anos, António Guterres declararia a sua “paixão pela Educação”, expressão que entrou no discurso político contemporâneo como uma espécie de lugar-comum a que recorrem em especial aqueles que nela não encontram uma prioridade na governação. Se em meados dos anos 90 isso se enquadrou numa tendência de crescimento do investimento em Educação como proporção do PIB (de acordo com os valores recolhidos pela Pordata esse valor era de 3,1% em 1985, de 4,7% em 1996, chegando a 5,1% em 2002, com o valor per capita do investimento a quase decuplicar dos 70,6 euros por habitante para quase 700), com as políticas educativas a desenvolverem-se como uma área prioritária da governação, colocando-se ao seu serviço os recursos financeiros tidos como indispensáveis, a partir de então se o discurso não ousou uma completa inversão, a acção política em torno da Educação passou a estar subordinada a agendas de outra natureza, estando subalternizada (como a Saúde e outras áreas relacionadas com as funções sociais do Estado) a exigências de tipo financeiro e economicista.
A par do desinvestimento nesta área, em especial na sua dimensão humana, assistiu-se ao progresso da lógica da “racionalização financeira” e à insistência no argumento de que “investir mais na Educação não significa necessariamente melhores resultados”. Um antigo ministro da Educação e presidente do Conselho Nacional da Educação chegou a afirmar, em declarações à Lusa reproduzidas pelo Público em 24 de Setembro de 2016, que “a ideia de que toda a despesa em educação é investimento ‘é uma treta’.[1]”
E assim, a Educação foi perdendo espaço nos orçamentos de Estado, verificando-se uma descida das despesas com este sector ao ponto de ficar abaixo dos 4% em 2015 e 2016 (o acréscimo para 4,8% em 2009 e 2010 corresponde ao pico da actividade da Parque Escolar, sendo que parte desses contratos estão agora sob investigação[2]), ainda de acordo com os dados disponíveis na Pordata[3], mesmo se ao nível do discurso político se afirmou uma recuperação da paixão de Guterres (“É hora de voltarmos a dizer, como dissemos há 20 anos, que a educação tem que ser de novo uma paixão deste país e é necessário investir na nossa educação”, declarou António Costa, defendendo que uma das grandes causas da próxima legislatura deve ser o combate ao insucesso e abandono escolar)[4].
Em 2010, num estudo, de que era co-autor Mário Centeno, actual ministro das Finanças, afirmava-se que “a evidência apresentada neste artigo aponta para a importância crucial de estabelecer um ambiente institucional que beneficie o investimento dos indivíduos na educação. Numa perspectiva dinâmica, torna-se necessário promover um conjunto coerente de políticas que preserve os retornos educacionais, alinhando os incentivos dos indivíduos com os da sociedade como um todo.”[5] A abrir o artigo citava-se a frase “Se acham que a Educação é cara, tentem a ignorância”, atribuída a Derek Bok, antigo presidente da Universidade de Harvard.
Seria de pensar que este tipo de confluência de perspectivas (a política de António Costa e a técnica de Mário Centeno) permitissem abrir um novo período na governação em que a Educação deixasse de estar condicionada pelo que se consideram ser os superiores interesses da gestão financeira de um Orçamento que cada vez é mais ditado por condicionalismos que se afastam do interesse da larga maioria dos cidadãos para obedecer a preceitos ideológicos ou tecnocráticos (o que determina o valor de 3% para avaliar da bondade ou maldade de um défice público? Não será essa uma abstracção arbitrária ditada por teorias económicas especializadas em falhar repetidamente as suas previsões?) e se ocupar quase em exclusivo com a satisfação dos interesses de grupos de pressão aos quais não se atribui a classificação de “corporativos” como aos professores quando reclamam que os seus contratos – e não apenas os das parcerias público-privadas ou os estabelecidos com empresas que exploram em regime de oligopólio sectores como a energia – sejam respeitados?
Sim, é verdade que nem todo o investimento em Educação se traduz na melhoria das aprendizagens e desempenho dos alunos e que não há uma relação directa entre mais dinheiro na Educação e melhores resultados em testes PISA, PIRLS ou TIMMS. Sim, também é verdade que o investimento em Educação não significa necessariamente (ou apenas) a melhoria das condições laborais do pessoal docente e não docente. Mas o contrário não é igualmente uma verdade indesmentível ou claramente provada pelos factos. O investimento feito na última década do século XX foi-se fazendo sentir com a melhoria dos resultados dos alunos ao longo da primeira década do século XXI.
Mas o que é mais importante em tudo isto é que a concepção sobre o papel da Política e Economia na definição das prioridades da governação da polis se alterou de uma forma que seria inconcebível para os primeiros teorizadores da coisa pública (Res Publica) como uma forma de governo o mais justa possível e em que as decisões da governação devem subordinar-se aos interesses dos governados, dos mais fracos e vulneráveis, mobilizando os recursos para a sua satisfação e não para a obtenção de privilégios em causa própria ou colocando a gestão financeira como uma valor maior do que a Educação, Saúde ou mesmo Justiça.
Recuperemos Aristóteles que há quase 2500 anos, com todos os condicionalismos sociais da época, afirmava que “quando se trata do governo da cidade, sempre que esse governo esteja fundado na base da igualdade e completa semelhança dos seus cidadãos, estes consideram justo governar por turnos; em tempos idos, como é natural, cada indivíduo considerava justo que os cargos fossem desempenhados em alternância, e pensava que, como retribuição, alguém zelaria pelo seu bem próprio, tal como ele mesmo zelara pelo interesse alheio durante a permanência no cargo. (…) A conclusão que se segue é clara: os regimes que se propõem atingir o interesse comum são rectos, na perspectiva da justiça absoluta; os que apenas atendem aos interesses dos governantes são defeituosos e todos eles desviados dos regimes rectos. São despóticos, mas a cidade é uma comunidade de homens livres.”[6]
Ou sobre a Economia que “o domínio sobre a mulher e os filhos e sobre a casa em geral, designado por economia, ou é exercido no interesse dos dominados ou num interesse comum a ambas as partes. Essencialmente é exercido no interesse dos dominados, como vemos nos demais saberes, como a medicina e a ginástica, em que apenas por acidente pode ser considerado o interesse dos que a praticam (…). O mestre de ginástica e o piloto visam o bem dos que se encontram sob a sua autoridade.”[7]
Esta noção de governação da coisa pública como um exercício em que o que está em causa é o serviço público e não a cedência a interesses privados perdeu-se. Já Platão avisava, pela voz de Sócrates (o grego), que “os homens de bem não querem governar nem por causa das riquezas, nem das honrarias, porquanto não querem ser apodados de mercenários, exigindo abertamente o salário do seu cargo, nem de ladrões, tirando vantagem da sua posição. Tão-pouco querem governar por causa das honrarias, uma vez que não as estimam. (…) Ora o maior dos castigos é ser governado por quem é pior do que nós, se não quisermos governar nós mesmos. É com receio disso, me parece, que os bons ocupam as magistraturas quando governam (…). Efectivamente, arriscar-nos-íamos, se houvesse um Estado de homens de bem, a que houvesse competições para não governar, como agora as há para alcançar o poder, e tornar-se-ia então evidente que o verdadeiro chefe não nasceu para velar pela sua conveniência, mas pela dos seus súbditos”.[8]

Paulo Guinote

[1] https://www.publico.pt/2016/09/24/sociedade/noticia/david-justino-diz-que-a-ideia-de-que-toda-a-despesa-em-educacao-e-investimento-e-uma-treta-1745109.
[2] http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/jose-socrates/operacao-marques-as-ligacoes-do-grupo-lena-ao-parque-escolar-de-socrates.
[3] – Consulta feita em 23 de Dezembro de 2017.
[4] https://www.jn.pt/nacional/eleicoes/interior/costa-recupera-paixao-pela-educacao-de-guterres-4784707.html
[5] Nuno Alves, Mário Centeno e Álvaro Novo, “O Investimento em Educação em Portugal: Retorno e heterogeneidade”, in .Boletim Económico do Banco de Portugal (Primavera de 2010), p. 36.
[6] Aristóteles, Política, livro II, § 6, Vega, 2008, pp. 115-116
[7] Idem, ibidem, p. 115.

[8] Platão, República, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, s. d., p. 38.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa - Programa de actividades de Janeiro



jornal Batalha (#276)



From: A Batalha <jornalabatalha@gmail.com>

Date: 2018-01-10 11:05 GMT+00:00
Subject: A Batalha #276



Viva!

O mais recente número do jornal (#276) saiu no passado mês de Dezembro e podem encontrá-lo à venda nas seguintes livrarias:

Lisboa: Letra Livre, Tortuga, Zaratan, RDA69, Tigre de Papel, Linha de Sombra, quiosques no Largo do Rato, na Rua Alexandre Herculano (junto ao Hotel Marquês) e na Rua Camilo Castelo Branco (junto ao edifício da EDP)
Porto: Gato Vadio
Setúbal: Uni Verso
Parede: SMUP
Évora: Fonte de Letras
Tavira: Beterraba

Índice:
p. 2: "Choques assimétricos", por Júlio Palma; "Mãe", por Francisco Cardo; "Killing & Dana em Lisboa"
p. 3: "Manuel Vieira (1943-2017)", por Joaquim Andrade e António Cândido Franco
p. 4: "Radicalidade do instante", por Pimprinelle
p. 5: "Os anarquistas e a esquerda", por M. Ricardo de Sousa
p. 6: "Perplexidades intempestivas", por Tomás Ibañez
p. 7:  "Carta a Tomás Ibañez", por Miguel Amorós; "É a liberdade que amo", por Carlos d'Abreu
pp. 8-10: "Para uma liberdade inominável", entrevista a João Santiago
p. 10: "O colonialismo na Etiópia", por J. Augusto
p. 11: "A um caçador", por António Gonçalves Correia, coligido por Francisca Bicho
pp. 12-13: "Os cangaceiros", por Mário Rui Pinto
pp. 14-15: "A ontologia do tropical-industrial", por Ron Gallipoli
p. 16: "Notas finais", por P. M.; "CAPAM", por Marcos Farrajota

O próximo número sairá em Fevereiro e será duplo, suprimindo o atraso com que nos temos deparado nos últimos tempos. Por isso, será um número excepcional com o dobro de páginas.
Façam esta mensagem chegar a possíveis interessados em assinar o jornal ou informem-nos de pontos de venda que eventualmente queiram receber A Batalha.
O pdf do número 276 segue em anexo.

Saudações libertárias,


CEL (Centro de Estudos Libertários) / Jornal 'A Batalha'

domingo, 14 de janeiro de 2018

Pintura de Álvaro Pires, pintor Quatrocentista, vai ser leiloada em Nova Iorque


A Anunciação (c. de 1434), de Álvaro Pires de Évora /  Foto DR
LUCINDA CANELAS - Jornal Público (Ípsilon)




O leilão de uma obra de um pintor português do século XV em Nova Iorque seria o suficiente para gerar alguma curiosidade, mas em se tratando de uma obra do primeiro dos pintores portugueses, de que só se conhecem cerca de 30 pinturas, apenas uma delas num museu nacional, essa curiosidade dá lugar a uma pergunta: “Será que o Estado vai tentar comprá-la?”
A obra em causa é A Anunciação (c. de 1434) e o seu autor Álvaro Pires de Évora, um pintor que terá nascido em Portugal antes de 1411 e morrido em Itália depois de 1434, e cuja biografia permanece, em grande parte, um mistério. Esta tábua com 30x22cm e quase 600 anos, está há mais de meio século na mesma colecção privada europeia (não portuguesa) e será levada à praça pela Sotheby’s, uma das mais importantes leiloeiras do mundo, a 1 de Fevereiro, estimando-se que seja arrematada por um valor entre os 150 mil e os 250 mil dólares (124 a 205 mil euros).