terça-feira, 28 de março de 2017

CARLOS LOURES DOA CARTAS AO GRÉMIO LITERÁRIO VILA-REALENSE


                O escritor Carlos Loures, que esteve na génese do Movimento Setentrião, quando exercia funções  em Vila Real, e que se encontrou presente nas comemoraçãoes do Dia Munidal da Poesia, organizadas pelo Grémio Literário, fez nessa data entrega ao Grémio de um valioso conjunto epistolar, que muito enriquece o fundo documental da instituição e muito ilumina as circunstâncias da criação daquele movimento e em especial da edição da Antologia da Poesia Contemporânea de Trás-os-Montes e Alto Douro, coordenada por Carlos Loures.
                Nesse espólio, encontram-se numerosas cartas dos escritores e intelectuais trasmontanos Alfredo Margarido, António Cabral, Carlos Coutinho, Eduardo Guerra Carneiro, Francisco Tavares Teles, Luís Roseira, Nuno Teixeira Neves e Vasco de Castro.
CÂMARA MUNICIPAL DE VILA REAL / Grémio Literário Vila-Realense

segunda-feira, 27 de março de 2017

A árvore mais antiga de Portugal?…


JORGE LAGE
A «Oliveira de Tavira» (foto da net, neste texto), do Aldeamento Turístico, «Pedras d’el Rei», freguesia da Luz, estava classificada como a mais antiga de Portugal, com cerca de 2.000 anos (agora já tem mais umas dezenas). E chegaram a esta datação científica pelo infalível método do C14 (Carbono catorze). Método que tem apenas uma margem máxima de erro de 100 anos. Nada havia a dizer se não curvarmo-nos perante tão venerável anciã. Há uns anos para cá notaram-se avanços e recuos nas descobertas fitológicas e tratamentos micológicos. Nos últimos anos tivemos o desenvolvimento de um novo método de classificação etária das árvores em Portugal. Contaram-me aspectos que me causaram muitas dúvidas. Quando vivemos algumas décadas e desde a meninice estamos atentos ao que nos rodeia no mundo rural. Nem tudo é visto da mesma forma como quem chega a um olival e tira as suas conclusões. Os meus porquês foram imensos e o meu sábio pai, já tinha bebido as respostas nos avós, nos pais e nos vizinhos anciãos. Muitas vezes a explicação era cimentada pela expressão: «- já contavam os antigos»… Eram inícios que não tinham princípio, mas eu via o fim ou o momento presente. Pois bem, a oliveira mais frondosa do meu pai era jovem e produtiva, comparada com outras de grande tronco. Outras antigas, em terra magríssima, o porte era menor do que outras com poucas décadas. Eu pensava que o C14 (e o método dos anéis) era o método científico considerado mais seguro pela comunidade científica internacional… Assim, surgirá a Oliveira das Mouriscas - Abrantes com 3350 anos, dizem do tempo de Ramsés II e de Moisés (1250 A.C.). Digo eu: - mais antiga que o bíblico Profeta Isaías? Curioso é que já tinha sido classificada por professores da UTAD, uma «Oliveira de Santa Iria da Azóia», com 2850 anos. O método do C14 não causará grande sofrimento às árvores, enquanto o método de contagem dos anéis é uma violência para a árvore. Outro aspecto que me deixa com alguma dose de cepticismo, sendo eu apenas um curioso e que sempre me julguei fraco a Matemática, é o novo método não se ficar pelos séculos e atesta a infabilidade até ao meio século (3350 anos). O método C14 ficar-se-ia, pelos séculos, 3300 anos, dado a margem de erro ser de 100 anos, prevista no Instituto Tecnológico Nuclear. Ao longo das últimas décadas, tenho assistido a alguma comunidade científica nacional ligada à flora, precipitar-se nesta ou naquela situação (já vi falar de nova descoberta, quando se conhecia há um século). Os nossos meios mediáticos (neste caso o Público de 25-02-2017) são muito atractivos para alguns, mais do que as revistas internacionais mais conceituadas. Neste caso, por este método inovador se conseguiria dizer qual é a árvore mais antiga da Terra? Tive conhecimento, não sabendo se o grupo é o mesmo ou outro mais empresarial, que terão andado em algumas partes do país a oferecer a classificação de oliveiras, através de fotografias, desde que a imagem fosse acompanhada de um cheque de 500 euros. A mim dava-me jeito a classificação de um sobreiro, que tenho na Orreta Longuinha (Chelas – Mirandela), dizem os corticeiros, que será dos mais imponentes de tronco da minha região. Podem ficar descansados que não vou mandar fotografia nem cheque. Deixo, amigo leitor, com uma quadra à Oliveira, recolhida em Vimioso, pela Prof.ª Celeste Pires, dos Vilares, da Torre:
Nós somos de Santulhão
Da terra dos olivais
Colhemos pouco azeite
Porque não nos deram mais

Provérbios ou ditos:
      É bonita mas foi lavada em água das castanhas.
      Março marçagão, de manhã focinho de cão, ao meio-dia de rainha e à noite de fuinha.
      O velho por não poder, e o novo por não saber, fica o trabalho por fazer.

Jorge Lage – jorgelage@portugalmail.com – 28FEV2017

Hifas da Terra – Descubre lo que nuestras setas puedem hacer por ti!


JORGE LAGE
As «Hifas da Terra» é uma empresa agrícola galega, sediada no campo, em Pontevedra, formou-se de uma parceria com a Universidade de Santiago de Compostela, contando, no início, há cerca de dez anos, com quatro licenciados e uma mulher que fazia umas horas de limpeza. No primeiro contacto que tive com ela e apercebendo-se da ganância em enriquecer, do dia para a noite, que grassava em Portugal em algum meio universitário e empresarial, a Catalina (agora Directora-Geral) foi peremptória: - Nós, Jorge, só queremos garantir os nossos postos de trabalho e o os nossos salários! Apercebi-me que trabalhavam com seriedade. Passados dez anos visito, novamente, as Hifas da Terra e vejo dezenas de carros por perto. O que haverá? Indaguei com os meus botões. Afinal, de quatro trabalhadores passou para 64 (sessenta e quatro), dos quais 80% são licenciados e destes, cinco são doutorados. Iniciou a sua actividade com a produção de cogumelos (hifas) e castanha. Nos castanheiros apostavam três em um, isto é: produção de madeira, castanhas e das raízes micorrizadas nascem cogumelos. Sempre com preocupações ecológicas criaram os seus próprios viveiros, conseguindo cultivares resistentes à doença da tinta e algumas espécies de cancros. Hoje, enxertam, anualmente, 100.000 castanheiros. Mas produzem outras árvores micorrizadas como o pinheiro manso ou o sobreiro. Já conseguem vender sobreiros a produzirem trufas pretas, as mais caras do mercado dos fungos ou dos cogumelos. O livrinho promocional, com o título na caixa acima, começa por incitar as compras «online», em «www.hifasdaterra.com». Sendo os cogumelos fungos orgânicos com propriedades terapêuticas, fazem aconselhamento médico e apoio técnico. A investigação científica preocupa-se em melhorar a vida das pessoas dentro da sustentabilidade do planeta Terra (já ganharam vários prémios por motivos ecológicos). Dos cogumelos extraem princípios activos (os cogumelos contém mais de 150 compostos bioactivos) que combatem certas formas de cancro e reforçam a imunidade nas pessoas. Estão a operar uma verdadeira revolução que se estende, também, aos cosméticos, aos suplementos alimentares, ao desenvolvimento das crianças, ao alto rendimento desportivo. Produzem chocolates com cogumelos (com cerca de 60 a 70% de cacau) e com pólen (considero-os excelentes ao paladar e em textura). A dermoterapia (tratamentos de pele), a micoterapia (contra o envelhecimento e a oxidação celular) e acessórios são outras gamas de produtos. Até «vacinas» de gel para combater certos cancros do castanheiro ali são produzidas. Por fim, informa-se como se podem produzir cogumelos (hifas) de modos práticos e simples. Tudo começou pela investigação para se fazer uma revolução segura, biológica e pela sustentabilidade do Terra-Mãe. Mais informações em «Hifas da Terra S. L., Portamuiños 7, Bora 36154 Pontevedra (Galiza), tel +34 986 86 10 87 ou info@hifasdaterra.com

Uma excelente senhora, esposa e mãe.

Por: Costa Pereira Portugal, minha terra
Foi hoje a sepultar no cemitério de Mafra, o corpo da D. Clementina figura bem conhecida e estimada por todos os mafrenses que com ela conviveram. No role das minhas amizades, e como que de familiar se tratasse, por muitas vezes tivemos convívios em comum já que era mãe da Gabriela, esposa do bajouquense Carlos Afonso, o Carlitos.
Viúva do Sr. Eduardo, que foi carteiro do CTT, a D. Clementina Alves Rodrigues Costa, de seu nome completo, foi mãe exemplar e teve nas filhas Maria Luzia e Gabriela a paga desse zelo maternal pois foi até ao momento em que trocou a sua casa pela do Pai, ternamente acompanhada e acarinhada por filhas, netos e bisnetos de forma exemplar. Nos momentos mais dolorosos que nestes casos a doença que não perdoa descarrega no doente, lá tinha à sua volta toda a família para a consolar, e os cuidados da neta Catarina Afonso, como excelente profissional em cuidados paliativos, disponível para lhe amortecer o sofrimento.
Não pude assistir ao funeral, mas no domingo, dia 26 fui com a minha esposa e filha à Casa Mortuária de Mafra dar um beijinho aos familiares ali presentes, entre eles as duas filhas, e os netos Catarina, Ana Luzia e o Zé Eduardo. Que descanse em paz. Nascida a 6 de Junho de 1933, a D. Clementina faleceu a 25 de Março de 2017, e foi sepultada no dia 27. “Que Deus a guarde no Céu, como nós a guardamos no coração”.

domingo, 26 de março de 2017

Descanso da indignação sobre Dijsselbloem


Francisco José Viegas - Correio da Manhã


Espero que tenham descansado da indignação sobre Dijsselbloem e que as hormonas tenham voltado a estabilizar. Uma indignação regular – digamos, duas por semana, com acompanhamento no Facebook – garante um certo equilíbrio neuronal e, em certos casos, sexual. De anteontem (o dia em que a indignação atingiu o rubro, com instituições e figuras gradas a pedir que o holandês fosse esquartejado) para ontem houve uma neblina de ressaca – a que se segue às mais eloquentes bebedeiras – e já há muitas opiniões (à esquerda; para não ir mais longe, Vital Moreira e Jaime Gama por exemplo) a dizer que Dijsselbloem é um bom presidente do Eurogrupo, e que parte das indignações foi estapafúrdia. Se em Espanha a reação foi cautelosa (até porque têm um candidato ao lugar do holandês), e em Itália houve sobretudo risota (o que se compreende no país de Beppe Grillo e Totó), em Portugal chamaram a Dijsselbloem ‘camisa castanha’ nazi-fascista, machista ou fizeram moralismo (e do mais reacionário, pomposo e merdoso) sobre a nossa melancolia e gosto pela vida. Continuamos para bingo.

Citação do dia: "Nesse particular de bebedeiras, deve-se manter uma aparência nórdica", J. Rentes de Carvalho, ontem, no CM
Sugestão do dia:
Cerco a Salamina  Leia agora a edição de bolso (na Miniatura, Livros do Brasil) de ‘Soldados de Salamina’, de Javier Cercas. Se há obra-prima sobre a história recente de Espanha, este está na primeira linha.

Tristezas


Vasco Pulido Valente - OBSERVADOR

O PSD – A comissão distrital do PSD aprovou a candidatura da dra. Teresa Leal Coelho à Câmara de Lisboa por vinte e tal votos contra um. Não me admira nada, só me admira que esse único discrepante não fosse imediatamente fuzilado. Os chefes mandam hoje nos partidos como quem manda em regimentos e deviam abandonar os títulos com que se ornamentam pelo título genérico de “coronel”, como antigamente no Brasil. Era mais sincero e exacto. A obediência é, do PC ao CDS, a grande virtude do militante e, como dizia Lee Atwater, o lendário conselheiro de Reagan, o segredo do sucesso está em “não se fazer notado, fazer-se de parvo e ir sempre andando”.
Mas não há críticos do PSD? Há: os defuntos partidários (Pacheco Pereira) e os generais reformados (Marques Mendes, Santana Lopes e Manuela Ferreira Leite, todos ex-presidentes daquela desaustinada agremiação). Isto dá vontade de morrer, como Bulhão Pato inventou que Herculano tinha dito perante um espectáculo parecido? Às vezes, dá, desculpem.

Copos e mulheres – José Manuel Fernandes foi o único a perceber que o comentário do sr. Dijsselbloem era um comentário de calvinista. Infelizmente, acabou aí. Mas vale a pena continuar. Garton Ash já pediu em público aos seus amigos Merkel e Schäuble que não tratassem a crise do Euro como “um ramo da teologia” e, para uso dos zoilos, também já explicou que esta perversão vem das profundezas da cultura alemã. Em alemão a palavra para orçamento (do Estado, por exemplo), Haushalt, significa simultaneamente “casa de família” ou, se quiserem, “lar”, um termo em desuso mas talvez mais exacto; e que a palavra Schuld quer dizer ao mesmo tempo “dívida” e “culpa”. Garton Ash acrescenta que na imprensa e na televisão se chama habitualmente aos países do Sul “pecadores fiscais”.
Lá do outro lado, Max Weber deve estar a rir-se das críticas que lhe fizeram. Afinal parece que há mesmo uma divisão profunda, de que ninguém se atreve a falar, entre a Europa protestante, onde o capitalismo encontra um leito macio, e a Europa católica (Portugal, Espanha, França e a maior parte de Itália – a Grécia ortodoxa por definição não conta), onde a Igreja por séculos e séculos habituou as gentes à irresponsabilidade pessoal e à dependência do padre, do bispo ou do cardeal, e onde o capitalismo encontrou um ambiente áspero e um Estado absorvente. Richard Tombs, um historiador de Cambridge especialista em história francesa, escreveu a semana passada que não existia no mundo um país tão anticapitalista como a França. Esqueceu-se de Portugal.
Quanto aos “copos e mulheres” do sr. Dijsselbloem, que aqui foram recebidos com hipócrita indignação, não passam de uma transparente metáfora para a classe média em larga medida inútil e parasitária que a democracia criou e para os serviços sociais que ela não pode de toda a evidência sustentar. Nestes apertos nós somos verdadeiramente católicos, esquecemos os nossos desvarios como quem se confessa e, apagando o passado ou até mesmo o presente, consideramo-nos honestos e limpíssimos.

Jorge Sampaio – Conheço este antigo Presidente por dentro e por fora desde os vinte anos. Mas nunca o julguei capaz de descer tão baixo. O segundo volume das memórias desta medíocre criatura, que tem todos os privilégios da praxe (uma grande pensão, gabinete de quatro ou cinco pessoas, escritório, automóvel e motorista), foi para meu espanto e até escândalo financiado pelas seguintes entidades: BPI, Fundação Oriente, Fundação Luso-Americana, Grupo Visabeira (ou seja, um grupo económico privado), Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova, PT e Mota-Engil. Esta indignidade de um homem em quem milhões votaram é um insulto para o país. E ainda há quem fique perplexo com a corrupção do PS. Previno já que vou ler e escrever sobre as ditas memórias com a maior repugnância.

Um país falhado


O foguetório das esquerdas sobre os números do défice (2,1%) é, de facto, arrepiante para os portugueses com alguma decência. E afirmarem que foi o mais baixo da democracia portuguesa ainda mais arrepiante se torna, porque em 1989, quando era ministro das Finanças o Dr. Miguel Cadilhe e primeiro-ministro Cavaco Silva, o défice público português também foi de 2,1%.
Se essa percentagem fosse traduzida na melhoria de vida das populações, ter-nos-íamos congratulado com o facto. Mas não foi. Já se começa a sentir nos vencimentos as patifarias do período de 2011 a 2015 (provocadas pelas governações socialistas de 2005 a 2011). Mas nessa altura estávamos em BANCARROTA, agora para lá caminhamos.
O dr. Costa, assim que foi anunciada a percentagem do défice, utilizou as seitas do costume para transmitir a grande novidade: “Os números são simples: 2,1% de défice, o melhor em 42 anos de democracia, 2% de saldo primário positivo, diminuição de um ponto da dívida líquida, estabilização da dívida bruta e começo da redução, estabilização do sistema financeiro, criação de 118 mil postos de trabalho líquidos. Estes são os números. E contra factos não há argumentos. ”
O diabo anda mesmo por aí. Wolfgang Schäuble já avisou três vezes (pelo menos), o holandês levantou a polémica que levantou a semana passada com as verdades que proferiu, mas que os do costume não gostaram de ouvir (nos outros países ouviram e calaram). E um artigo do economista João Duque no Expresso da semana passada, dedicado a tentar compreender porque mistério a diferença nas taxas de juro a 10 anos entre Portugal e a Alemanha era de 1,85% quanto Costa tomou posse, e hoje é de 3,85%, que João Miguel Tavares transcreveu excertos no Público ontem, diz-nos: “A atividade económica medida através do PIB cresceu menos em 2016 (1,4%) do que em 2015 (1,6%). O consumo interno, apesar de um esforço grande do Governo para o promover, cresceu menos em 2016 (2,3%) do que em 2015 (2,6%). O investimento caiu em 2016 (-0,3%), quando em 2015 tinha subido (4,5%). As exportações cresceram menos em 2016 (4,4%) do que em 2015 (6,1%). O aumento da dívida pública (aproximadamente 7 mil milhões de euros em 2016) foi superior ao défice orçamental do ano (4,2 mil milhões de euros), mostrando que além do adiamento de despesa ainda houve muita que não passou pelo Orçamento.”.
Bem vistas as coisas, vivemos num país falhado. Um país onde o conselheiro bloquista do Banco de Portugal disse em tempos “cobras e lagartos” do Governador do mesmo; um país onde as esquerdas criam uma “offshore” para recapitalizar o “banco público”; um país onde a gatunagem da CGD continua impune; um país onde os ladrões dos bancos insistem em ser inocentes; um país onde os juízes que procuram provas sobre os ladrões são escalpelizados na televisão pública por comentadores corruptos; um país onde as atitudes fascistas como a dos congelamentos das carreiras continuam como normais; um país onde as questões das reformas são discutidas como no circo; um país onde o vulgo trabalha mais de três décadas e os políticos oito anos; um país onde os políticos usufruem de regalias escabrosas comparadas com as dos políticos de países decentes.
Não é o país que tem culpa. A sua História diz-nos o contrário. Se culpa alguém tem, são aqueles que permitiram toda esta ladroagem, toda esta vigarice que permite os privilégios sempre aos mesmos, aos do costume, na penumbra de uma igualdade doentia que atira o país periodicamente para a BANCARROTA económica e social.
É tempo de pugnar por uma verdadeira igualdade a que esta classe politica foi sempre adversa: a igualdade de oportunidades. O dr. Costa repetiu várias vezes que em 2009 o país tinha atingido o menor défice das última duas décadas, mas em 2011 (2 anos depois) estávamos na BANCARROTA, a pedir dinheiro emprestado, e com uma intervenção de resgate da Troika que durou três anos.

sábado, 25 de março de 2017

Casa Transmontana de Lisboa e o IV Congresso

                                                                                                                         geral@ctmad.pt

BARROSO da FONTE
Nascida em 1905, em Lisboa, nos últimos tempos da Monarquia, «tem-se portado como o movimento dos planetas, ora em processo de regressão, ora em processo de progressão», nas palavras do último presidente da Assembleia Geral  Jorge Valadares.
 Tem a idade que teria meu Pai se fosse vivo. E eu que já estou na idade com que ele morreu, significa que essa Instituição já prestou relevantes serviços à Comunidade que ela representa e ao mundo da Lusofonia. Ela fez com que o seu exemplo fecundasse outros projetos semelhantes quer no país, quer na Diáspora, onde os Transmontanos chegaram, em busca de novos mundos e da sua própria sobrevivência pessoal e familiar.
 Em Portugal ainda hoje funcionam as Casas do Porto, Coimbra, Guimarães, Braga, Tomar, Algarve e Viana do Castelo. Umas estão em plenitude, com sede própria, como Lisboa, Porto e Braga. Outras pagam renda como Guimarães e Coimbra e outras têm espaços reservados, onde regularmente confraternizam e tomam decisões. Penso que é esse o caso de Tomar, Viana do Castelo e Algarve.
 Em Luanda (Angola), funcionou em instalações próprias, o Clube Transmontano que foi o ponto de Encontro de muitos Transmontanos que iam do «puto» ou por lá andavam a precisar de apoio. No Brasil há diversas casas e núcleos, em S. Paulo e no Rio de Janeiro. Nos Estados Unidos existe a Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro em Newark. E também em França existem diversos núcleos, uns mais ativos do que outros, mas todos com fins solidários com as pessoas e com as terras de origem. Foi  da Casa-Mãe de Lisboa  que, em 1920 e em 1941, se realizaram os dois Primeiros Congressos de Trás-os-Montes, que tiveram por palco cidades dos dois distrito de Bragança e de Vila Real. Em 2002 voltou a realizar-se o III, mas já com a envolvência de todas as Casas Transmontanas do continente que, anos antes, fundaram a Federação das Casas Regionais. Ato que decorreu na congénere do Porto.  Esse Congresso reuniu, cerca de 1.200 participantes, para o que também a Associação dos Municípios que tinha sede em Murça, delegou no Presidente da autarquia de Bragança, Engº Jorge Nunes que foi o grande obreiro desse acontecimento. Se no I congresso teve Óscar Carmona, Presidente da República, a presidir, também o III teve Jorge Sampaio, em idênticas funções. Neste Jornal e em toda a imprensa regional de Trás-os-Montes e Alto Douro, entre 1980 e 2002,
Recém eleito Presidente
da Casa Transmontana de Lisboa
Dr. Hirondino Isaías
pugnou-se porfiadamente por esse evento, cujas conclusões têm vindo a cumprir-se. Retomando a razão do título desta crónica cabe-me saudar a equipa dos 16 heróis que – finalmente - aceitaram prolongar a história desta centenária instituição regionalista, tomando posse dia 13 do corrente. Pelo que lemos na imprensa e nas redes sociais, foi muito, muito difícil encontrar Transmontanos com garra para reanimar a Casa-Mãe de Lisboa.
Vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. Duarte Cordeiro, em cumprimento institucional com o recém eleito presidente da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa, Dr. Hirondino Isaías, no acto solene da tomada de posse.

 A sua sede já passou por vários espaços. Até que mudou para o Campo Pequeno, para um terceiro. Por alturas do centenário a Casa tentou construir um prédio de raiz e chegou a ter terreno próprio na zona de Belém, junto ao Tejo. Através do Jornal da Casa fez-se uma campanha de angariação de fundos para essa construção. Só que a morosidade e o desânimo de quem pensa dominar as situações, é mais forte do que os dominados. E o terreno de Belém acabou por regressar à Câmara de Lisboa, por troca com um edifício para reconstrução. O novo presidente incluiu no seu programa o IV congresso Transmontano. Foi um dos compromissos do III. Já passaram 15 anos.
 O III Congresso Transmontano distanciou-se 61 anos do II. Quase tanto tempo como a média de vida de uma pessoa normal. Embora tenha sido, provavelmente, a maior manifestação conjunta de Transmontanos em torno da ligação ao berço daqueles que o tornaram possível, só decorreu com o sucesso que ninguém pode negar, graças às Casas Regionais e ao indesmentível entusiasmo de algumas Câmaras Municipais. Volvidos quinze anos quase ninguém mais falou ou escreveu sobre ele. Há uma honrosa exceção que não sendo, jornalista profissional, nem dispondo de muito tempo para aflorar este tema, foi o ex-autarca de Bragança, Jorge Nuno que no Jornal Nordeste, de Bragança, assinou numa sequência de quatro extensos relatos que foi pena não serem reeditados em livro próprio, com mais alguns elementos históricos que servissem de ponto de partida para os mais novos que nos anos, entretanto decorridos, já esqueceram.
  Foi ele que deu a cara para que outros saíssem da sombra. Quase sempre é assim: uns têm ideias,  arriscam com todas as capacidades pessoais e profissionais e lançam-se às feras. Os mirones espreitam e, quando notam que  essa aventura vai dar mediatismo, atiram-se de pés e mãos e arrogam-se à liderança dessa fama. Em cima do acontecimento podem os observadores aperceber-se
de que houve aproveitadores dessa empreitada. Passados alguns meses, os obreiros que mereciam palmas voltam ao silêncio do quotidiano. Os espontâneos partem para outras empreitadas, em busca de mais sucesso alheio que faz deles os reizetes de todas as manifestações do povoado.
   Ocorre-me mexer numa proposta que ficou de realizar-se alguns anos depois, numa quarta edição.
Já passaram quinze anos. A nova direção da Casa-mãe de Trás-os-Montes, com sede em Lisboa, desde 1905, relançou a ideia. Como fiz parte da comissão organizadora do III, gostaria muito de ver essa promessa cumprida durante o quadriénio em curso.
                                                                                 

Por muitos anos!!!

Por: Costa Pereira Portugal, minha terra

Neste dia, 24 de Março, fez 60 primaveras de vida terrena um bajouquense muito distinto que no Casal dos Afonsos nasceu e na sua eira mantem o embrião às origens. Trata-se do José Carlos Afonso, o Carlitos, ten-coronel na reserva, que pela terra tem um amor profundo e pela família a máxima dedicação. O seu afecto e apego às origens e familiares, evidencia-se nas deslocações constantes ao torrão-natal e nos convívios familiares que de vez quando  com os seus dotes musicais anima.
Mas se algo mais quisermos realçar e aproveitar do comportamento social deste aniversariante temos o seu exemplo de para comemorar a data ir no dia seguinte a pé até ao Santuário de Fátima agradecer a Nossa Senhora a sua intercessão junto do Filho por tudo quanto de bom na vida lhe tem corrido. Só uma coisa tenho pena: não poder dar-lhe o meu fraternal abraço de parabéns, mas que deixo aqui com muita amizade e admiração.  Por muitos anos!!!

sexta-feira, 24 de março de 2017

A offshore das esquerdas portuguesas

Já a Europa se afastava de Estaline, com Raymond Aron na primeira linha, e Sartre dedicava versos a esse facínora. Os verdadeiros tipos das esquerdas são assim. Sabem que um criminoso enviou para os Gulag mais de 20 milhões de pessoas, mas continuam reverentes incondicionais ao monstro. E as esquerdas portuguesas do seu alto pedestal, com a sua “superioridade moral” embarcam nos esquemas que criticam a outros.
Raymond AronAs esquerdas portuguesas sabiam dos sarilhos da CGD (como sabem da lista dos que a arruinaram), mas tudo fizeram para que não fossem reveladas todas as verdades que envolvem o processo de recapitalização da mesma. E aplaude, como Sartre, esse plano de reestruturação de fechamento de 200 balcões e o despedimento de cerca de 2500 funcionários (dos melhores do país). Mas ao mesmo tempo, com a hipocrisia que lhes vai no sangue, fingem que nada sabiam. E fingem-se enormemente preocupados com o serviço público da instituição e com o despedimento desses funcionários de alta qualidade. E aceitam sem delongas que o tal “banco público” seja sujeito a uma privatização dissimulada, quando concordam com a emissão de obrigações perpétuas para investidores institucionais. Ou seja, um empréstimo permanente de investidores privados relevante – 930 milhões. Mas há mais. Presume-se que estas operações (por vantagens fiscais) se farão no Luxemburgo – um novo tipo de Offshore que as esquerdas portuguesas apadrinham.