segunda-feira, 29 de agosto de 2016

"Reino Maravilhoso, Por Terras do Alvão e do Marão"

National Geographic Portugal partilhou o vídeo de Reino Maravilhoso - Por Terras do Alvão e do Marão.
Os fotógrafos da National Geographic Luís Quinta e Ricardo Guerreiro vão estrear o seu mais recente filme de história natural sobre a região de Trás-os-Montes, já documentada em reportagens nos dois últimos anos, no dia 28, pelas 12 horas, na SIC.
Uma amostra do trabalho "Reino Maravilhoso, Por Terras do Alvão e do Marão" pode ser apreciada nesta ligação. Reino Maravilhoso - Por Terras do Alvão e do Marão.


Por Vontade sua ou não

Por: Costa Pereira - Portugal, minha terra
Hotel geriátrico, em Chaves
Hoje lembrei-me de um distinto transmontano e meu prezado amigo que deixei de ver já lá vão alguns anos porque a doença que lhe bateu à porta atirou com ele para fora de Lisboa, e Chaves fica muito afastado daqui. Refiro-me ao Sr. Padre Guilhermino Augusto Teixeira Saldanha que conheci por volta de 1988, na ESSM, em Campo de Ourique (Lisboa) onde desempenhou as funções de capelão. Sacerdote zeloso no cumprimento dos seus deveres aderentes à missão e ao desempenho das funções que lhe eram conferidas. Natural de Vilartão, aldeia do concelho de Valpaços, o Coronel-Capelão Guilhermino Saldanha, nasceu a 08/04/1940, e foi ordenado sacerdote a 05 de Março de 1966. Após a ordenação ficou algum tempo como Prefeito do Seminário e foi depois incorporado na vida militar, por indicação do Bispo D. António Cardoso Cunha, onde frequentou um curso na Academia Militar, e em Novembro de 1968 é colocado no Batalhão de Caçadores Nº 5, em Lisboa. Em 1969, embarcou para o Norte de Angola, como capelão do Batalhão de Artilharia Nº 2882. De regresso a Portugal, recebe convite do Capelão Mor das Forças Armadas, D. António Reis Rodrigues, para fazer parte dos capelães da Armada Portuguesa, o que se concretizou em Dezembro de 1971. Também em Dezembro, mas de 1987, regressou ao Exercito, e é colocado como capelão do Regimento de Transmissões e da Escola de Superior do Serviço de Saúde Militar, que foi onde o conheci, pois era o meu local de trabalho. Homem de muita cultura e saber, este sacerdote cativava o seu semelhante pelo modo caridoso e humilde como lidava e cuidava dos assuntos da sua lavra. A nossa amizade era mutua e sincera com a pendente transmontana a pesar. Em Maio de 1992, um meu amigo e compadre pediu-me se lhe arranjava um sacerdote disponível para ser acompanhante e dar apoio espiritual a um grupo de peregrinos que iam a Roma assistir à beatificação de São Josemaria Escrivá que aconteceu a 17 de Maio de 1992. Fiz-lhe o convite e logo ele aceitou, por lá andamos juntos uns 15 dias. Graças a ele vim mais enriquecido já que de história universal era mestre o padre Saldanha. Dois anos depois, em 1994, é convidado para coordenador das actividades dos Capelães Região Militar Sul, em Évora, e nessa condição ainda participei em Lourdes, numa  Peregrinação Internacional Militar ali realizada. Foi em Burgos, que nos encontramos. Regressado de Évora foi convidado, em 1996, para desempenhar as funções de Chefe do Serviço de Assistência Religioso, e por aderência pároco da paróquia do Socorro. Terminada a sua ocupação na vida militar, foi incardinado à Diocese de Lisboa, e como tal nomeado pároco de Santos -o- Velho, onde abriu um” bar para salvar as almas”,  até que adquiriu habitação em Fátima e para lá se mudou disposto a servir no Santuário. Surge a doença que lhe rouba a fala e a memória e hoje vive no hotel geriátrico, em Chaves, não sei se por vontade sua ou não.

domingo, 28 de agosto de 2016

A "Madalena"


Em entrevista ao jornal Público, a dona Catarina mostrou arrependimento sobre a formação da “geringonça”, o nome designado por Vasco Pulido Valente, para a solução governativa que surgiu após Outubro de 2015, congeminada pelos partidos que haviam perdido as eleições; com especial relevo para o Partido Socialista de Costa.
O que dessa entrevista se recolhe, não deitaria sumo algum, mesmo que os limões fossem espremidos ao tutano. Qualquer "Zé da tasca" lhe pediria explicações sobre o seu conteúdo. E qualquer asno zurraria de alegria!
A lenga-lenga do costume, tratando os portugueses por estúpidos: “travar o empobrecimento do país”, “afastar a direita do governo”.
Madalena, Ticiano
Não satisfeita com a lenga-lenga já conhecida por todos, mistura assuntos sem nexo – a restruturação da divida (que para a dona do Bloco apenas quer dizer começar a contrair mais divida a partir do zero), com a Goldman Sachs, numa clara teoria da conspiração.
O maior perigo para esta “arrependida” é “perdermos todo o controlo sobre o sistema financeiro”. Porque para esta “Madalena” tudo o resto está bem: a capacidade produtiva do país, os salários das pessoas e o peso do Estado Social.
E com a superficialidade de quem come um requeijão, remata com a “política do ódio”, mistura a NATO com Donald Trump e diaboliza a União Europeia (como sempre) quetrata parte do seu povo como se estivesse sob suspeita permanente”.
São raros pensamentos tão profundos!
E quase em nota de rodapé, o populismo do costume: “Não às sanções, não à chantagem, Portugal é uma democracia”.
Quanto ao arrependimento em si, só cai nele quem quer. Admite-se que alguns tenham “tropeçado” a quatro de Outubro. Mas passados tantos meses … à segunda quem quer cai e à terceira …
A solução governativa actual é tudo o que o Partido Comunista (PCP) e os partidos da génese do Bloco de Esquerda almejavam desde 1976 – uma maioria de esquerda. Porque a tradição de ambos é a leninista/estalinista (no caso do Bloco, também trotskista). Atingir o poder para modificar o mundo. Em suma, a Revolução. Conseguida não por meios pacíficos (como defendiam alguns marxistas moderados), mas usando a força e a coerção, como o fizeram os bolcheviques em banho de sangue. Um ADN longínquo – de Blanqui que preservava a tradição jacobina do terror e ditadura.
Infiltrados no Estado como agora estão (Bloco e PCP), irão aprovar o Orçamento de 2017 sem delongas para sustentarem as clientelas (e o oportunismo de Costa), até ao estrondo final, que se aproxima a passos largos com o colapso da economia. Um país assim tem os dias contados. De bancarrota em bancarrota, lá vai cantando e rindo.

O BE não pactua é com democracias


Alberto GonçalvesDiário de Noticias

Por dever de ofício, inclinação natural ou gozo, os políticos sempre mentiram. A diferença é que antigamente a mentira implicava um esforço, alguma sofisticação, um esboço de enredo. No Portugal de hoje, atiram-se ao ar as mais descaradas e preguiçosas patranhas na esperança de que as pessoas as engulam. E o nível de exigência está tão baixo que a esperança é fundamentada e as pessoas engolem mesmo as patranhas.
Segundo Catarina Martins, o BE não enviou um representante ao congresso do MPLA por "não pactuar com ditaduras". É preciso lata, mas também é preciso uma audiência particularmente anestesiada. Catarina, a Pequena, poderia justificar a ausência do partido dela em Luanda com o clima, o transtorno das viagens ou a aversão a mandioca: com a ditadura angolana é que não.
Até é ridículo ter de lembrar a simpatia apaixonada do BE pela ditadura palestiniana, ou a simpatia assumida do BE pela ditadura venezuelana, ou a simpatia mal disfarçada do BE pela ditadura cubana, ou ainda, se espreitarmos o respectivo site, a guarida que o BE oferece a sumidades sortidas, especialistas na veneração de totalitarismos sortidos. E é confrangedor ter de lembrar tudo o que os senhores (e senhoras) do BE já disseram, escreveram e pensaram sobre por exemplo os regimes americano, alemão, britânico, israelita, espanhol e português, este no tempo em que por cá governavam os partidos vencedores de eleições.
Pensando melhor, e não é necessário pensar muito, o BE só pactua com ditaduras. O problema do BE, e da extrema-esquerda em geral, é exactamente com as democracias, conceito absurdo que deixa aos cidadãos a possibilidade de escolherem o oposto da miséria com que o BE sonha. O caso de Angola é uma excepção "estratégica", e embora se trate de uma evidente autocracia é capaz de possuir residuais virtudes que me escapavam antes do alerta do BE. Vou ver. Quanto ao resto, prefiro tapar os olhos: é chato sermos burlados por vigaristas, e humilhante sermos burlados por vigaristas sem talento.

Terça-feira, 23 de Agosto

Notícias do Tempo Novo, XXVIII capítulo

De modo a alcançar a "paridade pura" (cito um ministro qualquer), o governo quer estabelecer "quotas mínimas por sexo" em "cargos de liderança". Acho lindo, com reservas. Em primeiro lugar, a ideia não é nada, nada, nada ofensiva para as senhoras. E se, para o peculiar feminismo em vigor, as muçulmanas devem ser livres de usar a burka - leia-se devem ser livres de se subjugar ao marido e ao islão sob pena de lapidação e consolos afins -, não se estranha que esse exacto feminismo defenda o vexame das ocidentais através de "cunhas" estatísticas.
Em segundo lugar, é indecente que as quotas se destinem exclusivamente a postos de chefia. Há demasiado tempo que a recolha do lixo e a carpintaria de sujos são coutada do macho da espécie, privilégio que urge combater.
Em terceiro lugar, lamento que a proposta se limite às fêmeas. Por um lado, é escusado ficarmo-nos só por dois sexos. A acreditar (com dificuldade) no que li algures, a sigla LGBT já pertence ao passado: o presente é LGBTQIA+ (Lesbian, Gay, Bisexual, Trans, Queer, Intersex, Asexuality, + o que calhar). E do futuro nem Deus sabe. Por outro lado, os tolinhos das "causas" não dividem a sociedade apenas segundo o género. Há incontáveis subdivisões, de acordo com a etnia, a religião, a origem social, a naturalidade, o desenvolvimento intelectual e físico e o diabo a quatro, que convém acarinhar através de quotas respectivas. Uma xintoísta aborígene, zarolha, transexual, filha de pai sírio e proveniente de um lar desfeito teria, na ordem ideal das coisas, o mundo aos seus pés. Ou no mínimo, cito o Expresso, no "sector público e nas empresas cotadas em bolsa".
Em quarto lugar, o mesmo governo que amigavelmente nos convenceu a sustentar os 18 cavalheiros da CGD pretende determinar as administrações de empresas privadas? Nisso já não acredito: deve ser gralha.

Sexta-feira, 26 de Agosto

A força do hábito

O mayor de Londres, que é muçulmano e que há meses proibiu o bikini na publicidade dos transportes públicos, apareceu a condenar o veto francês ao burkini (agora também vetado). De acordo com Sadiq Khan, "ninguém tem o direito de dizer às mulheres o que devem e o que não devem vestir". A frase faz sentido. Só por acaso, está incompleta. Ei-la inteira: ninguém tem o direito de dizer às mulheres o que devem e o que não devem vestir excepto se quem o diz professa o islão ou se o vestuário em causa desrespeita a sharia.
A curiosa participação do sr. Khan no debate ilumina-o. O problema não é tanto a intolerância de autoridades que forçam senhoras a despir os trapos, mas o ataque à tolerância que os trapos representam. Mesmo lá no fundo nenhum ocidental se maça face aos exotismos com que os "outros", ou as "outras", se cobrem. Os "outros" é que se ofendem face à "licenciosidade" (cito o prof. Freitas) com que os ocidentais se descobrem.

Dito de maneira diferente, em circunstâncias "normais" nunca nos passaria pela cabeça interferir nos hábitos alheios. Nas circunstâncias que temos, os hábitos alheios simbolizam um projecto destinado a abolir os nossos. E se era ridículo o espectáculo na praia de Cannes, é grotesca a quantidade de ocidentais que, mais do que ignorar a ameaça, defende-a e parece ansiosa pela sua consumação. Tratar o totalitarismo com as regras da liberdade não costuma acabar bem. Em geral, ganha quem procede ao contrário - como o sr. Khan está farto de saber.

António Costa é também Técnico Oficial de Contas Certificado


Pelas Declarações que António Costa fez  relativamente ao OE Rectificativo consequência  da Recapitalização da CGD,  este para além de ter formação académica em Direito também é Técnico Oficial de Contas Certificado.
Questionado sobre o Orçamento Rectificativo de 2016, António Costa respondeu o seguinte:
   " Este Orçamento Rectificativo não é um verdadeiro OE Rectificativo, é uma operação Técnico-Contabilística necessária para reforçar um capítulo do Orçamento que nos permitirá a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos "
Com esta afirmação O Primeiro-Ministro, revelou ser um discípulo  de " Domingos Azevedo (Socialista e Bastonário da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas).
E assim vai o País............................!
João Ferreira

sábado, 27 de agosto de 2016

Cristianismo e Jogos Olímpicos


P. Gonçalo Portocarrero de Almada – in: OBSERVADOR

Se é à revolução francesa que se deve a restauração do olimpismo, como explicar que os Jogos Olímpicos só tenham recomeçado “moderna e definitivamente em 1896”, ou seja … mais de cem anos depois?!


No Público de 19 de Agosto passado, o historiador Rui Tavares, que também é fundador do Livre, escreveu: “o que acabou com os Jogos Olímpicos antigos foi a chegada ao poder do cristianismo. Teodósio, o primeiro imperador cristão a governar sobre o Império Romano (Constantino foi o primeiro a converter-se ao cristianismo, mas já perto da sua morte), emitiu uma série de decretos abolindo todo o tipo de cultos aos deuses pagãos, e foi assim que os Jogos Olímpicos, que eram tanto uma festa religiosa quanto desportiva, se extinguiram por mais de mil e quatrocentos anos. Teodósio era orgulhosamente intolerante contra os rituais, as imagens e a sensualidade do paganismo”.
É curioso que este historiador, embora reconheça que Constantino foi o primeiro imperador romano cristão, não o considere como tal, para efeitos dos Jogos Olímpicos. Porquê? Porque morreu cedo, o homem. A verdadeira razão, contudo, parece ser outra: como dava jeito que o primeiro imperador cristão pudesse ser apresentado como um fundamentalista inimigo do olimpismo, o fundador do Livre achou por bem suprimir Constantino para, falseando a história, apresentar Teodósio como “o primeiro imperador cristão a governar sobre o Império Romano”. Esclarecedor, não é?
Também omite – esquecimento, ignorância ou simples má-fé? – que Teodósio, na fase inicial do seu reinado, foi tolerante com os pagãos e favorável à conservação dos seus templos e estátuas, embora tenha reiterado, em 381, a proibição de Constantino em relação aos sacrifícios, interditando, dez anos mais tarde, os sacrifícios de sangue. Apesar de o fundador do Livre afirmar que o cristão Teodósio era “orgulhosamente intolerante”, a verdade é que, por exemplo, quando em 388 alguns cristãos incendiaram a sinagoga de Calínico, na Mesopotâmia, Teodósio ordenou ao bispo local que reconstruísse a sinagoga, disponibilizando os necessários recursos, e que punisse os incendiários. Para “intolerante”, convenhamos que não está nada mal!
Mas, Teodósio seria de facto orgulhoso? No ano 390, Santo Ambrósio de Milão excomungou este imperador, por ele ter ordenado o massacre de Salónica, como represália pelo assassinato do governador militar dessa cidade. Só depois de Teodósio ter humildemente manifestado o seu arrependimento e feito, durante vários meses, penitência pública, foi levantada a excomunhão e o imperador, que os ortodoxos veneram como santo, foi readmitido na Igreja. A este propósito, Teodósio diria mais tarde: “Sem dúvida, Ambrósio fez-me compreender pela primeira vez o que deve ser um bispo”. Um todo-poderoso imperador romano que se humilha a este ponto, ante um indefeso bispo católico, seria assim tão orgulhoso?!
Mais surpreendente é, contudo, a originalíssima tese deste historiador em relação ao renascimento da prática olímpica: “Após Teodósio, só se voltou a falar do restabelecimento dos Jogos Olímpicos com a Revolução Francesa” (com maiúsculas no seu texto, ao contrário de Cristianismo, que escreve sempre com minúscula, vá-se lá saber porquê …). Portanto, segundo este cronista, durante um milénio ninguém sequer falou dos Jogos Olímpicos!
Mas, se é à revolução francesa que se deve a restauração do olimpismo, como explicar que, como o dito historiador reconhece, os Jogos Olímpicos só tenham recomeçado “moderna e definitivamente em 1896”, ou seja … mais de cem anos depois?!
Aliás, é curioso que se omita a obrigatória referência a Pierre de Frédy, que foi, de facto, o restaurador das Olimpíadas e que, por sinal, não só não tinha nada a ver com a revolução francesa, como era, pelo contrário, um aristocrata, que foi baptizado na Igreja católica, estudou num colégio jesuíta, pediu e obteve, para o olimpismo moderno, a bênção do Papa São Pio X e era amigo do padre dominicano Henri Didon, que foi o autor do lema olímpico. Se o dito fosse revolucionário e ateu, decerto que teria tido direito, por parte deste historiador, a uma menção honrosa, mas sendo barão de Coubertin e, ainda pior, cristão, nada feito!
Também não se referem os Jogos Olímpicos de Berlim, quando Hitler aproveitou esse acontecimento desportivo mundial para exaltar a raça ariana e fazer propaganda do regime nazi. Se um chefe de Estado então recusasse a participação do seu país nesses Jogos, o fundador do Livre também o condenaria por ser “orgulhosamente intolerante”?! Não é verdade que, se algum estadista o tivesse feito, para não colaborar com o nazismo, teria merecido o respeito e a admiração de todos os verdadeiros humanistas e democratas?
Igualmente se omitem outras diversões da antiguidade greco-romana a que os imperadores romanos cristãos também puseram termo, como os combates circenses, em que tantos cristãos foram barbaramente assassinados. É verdade que a revolução francesa não restaurou esses degradantes espectáculos pagãos, mas retomou as perseguições de morte aos cristãos, a que o comunismo, por sua vez, tem dado, desde 1917 até à actualidade (China, Coreia do Norte, etc.), generosa continuidade.
Ese cronista do «Público», para além de historiador, foi também fundador do Livre. É, de facto – honra lhe seja feita! – um historiador livre, não dos antiquíssimos preconceitos marxistas e anticristãos, mas da realidade dos factos. Afinal de contas, quem é que é “orgulhosamente intolerante”?!

Um artigo


Alfredo Barroso escreveu no jornal Público (26/08/2016), um artigo de página com titulo pomposo:” A fixação obsessiva de Passos Coelho”. No qual desfere um ataque fulminante à politica económica de Milton Friedman, um gigante da economia do século XX, prémio Nobel, e respeitado por economistas como Paul Krugman, embora discordando de alguns dos seus métodos económicos.
Para isso recua a uma polémica que o tempo já demonstrou ser incorrecta – a ligação de Friedeman ao Chile de Pinochet. Sendo certo que no Chile de Pinochet se experimentaram as ideias liberais de Friedman, não é correcto associá-lo à politica e, sobretudo, à ditadura chilena implantada por Pinochet. Isso foi vastamente desmentido, não só pelo próprio Friedman, como por gente decente que o acompanhou nos programas de Roosevelt, Nixon, Ford ou de Reagan. E, embora tenha acompanhado três presidentes, nunca exerceu cargos políticos (sempre os recusou), nem mesmo de Secretário de Estado. Foi sempre conselheiro. E já agora, convém lembrar que foi dos primeiros a sair em defesa dos pobres, ao propor um sistema de imposto progressivo em que os pobres receberiam um salário básico do governo. Porque apesar de considerar que as forças de mercado produziam coisas maravilhosas (sic), não podem garantir uma distribuição de renda que permita a garantia de necessidades económicas básicas a todos os cidadãos.
Mas o sr. Barroso, com o curriculum que apresenta (onde nada consta de trabalho em relação à sua formação académica – advocacia), com os laços familiares (sobrinho do dr. Soares), e o rol de medalhas (Grã-Cruz disto, Comenda daquilo) que possui, que encheriam um alforge, pode dizer o que quiser.
É claro que esta associação de Friedman a Pinochet é propositada. Porque, no fundo, o que o sr. Barroso pretende é atingir Pedro Passos Coelho e a sua antiga ministra das finanças.
O dr. Barroso pode discordar das politicas liberais, pode até discordar (como discorda) da politica seguida pelo governo liderado pelo dr. Passos Coelho, mas não pode continuar (como continua, ele e muitos) a manipular o povo português.
O que empobreceu Portugal (como agora o tempo começa a mostrar) não foram as politicas desse governo, foram as politicas dos “governos” do seu correligionário José Sócrates, que levaram o país à bancarrota!

a-escola-publica-antro-de-corrupcao.html
Mas isso é assunto que já está demonstrado, não se irá aqui perder mais tempo com ele.
Para terminar, aconselha-se o sr. Barroso a estar mais atento em relação ao Chile. É que embora a sua governação actual seja de esquerda, nunca abandonou os princípios indicados por Friedman.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Passeios e terras em postal


Com um título colorido, “Passeios e terras em postal”, Costa Pereira (Portugal, minha terra)  maravilhou, quem este blogue visualizou, através de 31 belos artigos ilustrados com 130 imagens, uma pequena colecção de postais, alguns com mais de meio século!
Iniciou este belo conjunto de escritos com “ Só visto porque contado não se percebe”, terminando com  “Para já, passeio suspenso”.

Segue a lista:
I - Só visto porque contado não se percebe
II - O Vinho de Douro e o Porto
III O Minho em postal
IV - Vila Real em postal
V - Bragança
VI - Chaves
VII - Imagens antigas
VIII - Celorico de Basto
IX - Lamego
X - Terras e pontes que já atravessei
XI - De burro até ao galo de Barcelos 
XII - Do Caramulo a terras de Basto
XIII - Madeira que já visitei e relatei
XIV - Memórias....  
XV - Mirando terras de Espanha
XVI - Coisas da nossa história      
XVII - Os anos fazem-nos destas partidas 
XVIII - Do Corgo até ao Cavado
XIX - Gozar férias em tempo de Verão 
XX - Gozar férias em tempo de Verão 
XXI - Rainha dos Apóstolos
XXII - Do Ebro ao Guadalquivir
XXIII - Encantos e recantos de Portugal
XXIV - Um dos adornos arquitectónicos de Sintra 
XXV - Santuários marianos  
XXVI - De São Sebastião a Pádua
XXVII - Vamos repousar em Roma
XXVIII - Roma Imperial  
XXIX - Só visto, contado não diz nada
XXX - Jardim à beira mar plantado.
XXXI - Para já, passeio suspenso

Conheci o PS antes de ser virgem

Santana Castilho  - jornal Público

A análise das políticas propostas e a análise do discurso dos que comunicam em representação dos partidos permite estabelecer padrões previsíveis de comportamento político. Aí temos o PS, fazendo-se de virgem, a patentear, agora que se inicia o primeiro ano-lectivo sob sua inteira responsabilidade, o que fui antecipando e criticando, ainda a presente legislatura não tinha arrancado: a vacuidade de soluções para os verdadeiros problemas da Educação.
À míngua de preparação e de estudo dos problemas durante os últimos quatro anos em que foi Oposição, o PS recorreu ao baú dos adquiridos ideológicos de sempre para repetir os erros, que nunca reconheceu, dos últimos quatro anos em que foi Governo.
A 22 de Março de 2015, antes das eleições que viria a perder, no auditório do Museu de História Natural e da Ciência, após um debate sobre “qualificações”, António Costa anunciou que a educação de adultos, particularmente a recuperação do programa “Novas Oportunidades”, era uma das suas quatro prioridades para a Educação e um “dever de cidadania”. De novo em Março, agora de 2016, após um Conselho de Ministros dedicado à Educação, Tiago Rodrigues revelou que o rumo para a legislatura tinha, não quatro, mas cinco prioridades. Recordemo-las, como foram apresentadas: “orçamento participativo”, que consistirá em atribuir às escolas uma verba adicional para os estudantes gastarem como entenderem; “animação turística” das ruas das nossas cidades; “educação inclusiva”, metáfora para criar um grupo de trabalho que estudará a forma de juntar aos diplomas um descritivo do que os alunos fizeram em contexto extra-curricular; “sucesso escolar”, com o anúncio de um programa nacional de formação massiva de professores; e “formação de adultos”, recuperando, com rasgados elogios, as Novas Oportunidades, de má memória. A pavorosa semântica do ministro da Educação explicou-nos, na altura, o que seriam as novas “Novas Oportunidades”:
“Este programa deverá assentar numa maior integração das respostas na perspetiva de quem se dirige ao sistema, tornando, na ótica do formando, coerente e unificada a rede e o portefólio dos percursos formativos, que no percurso individual devem ser passíveis de combinação personalizada”.
Entenderam? É tudo o que sabemos, para além de que pretendem começar com 50 milhões de euros.
A educação de adultos é importante? Obviamente que sim. Todas as iniciativas que visem a qualificação dos cidadãos são importantes. Mas será uma prioridade num país que não consegue matar a fome a todas as crianças do ensino obrigatório, que tem escolas sem dinheiro para pagar a electricidade que consomem, que exporta médicos, engenheiros e enfermeiros (só no Reino Unido estão 12.000), e que desperdiça no desemprego dezenas de milhares de licenciados, que custaram dezenas de milhares de milhões a serem formados?
Quanto ao programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar e ao seu primeiro ideólogo, José Verdasca, procuram atribuir às escolas e aos professores a culpa do insucesso dos alunos. Fazem-no por referência ao passado (a insidiosa “cultura de retenção”, que glosam recorrentemente) e voltam a fazê-lo quanto ao futuro, quando coube às escolas a responsabilidade de conceber planos de acção para um quadro conceptual que lhes foi imposto. Em recente entrevista ao PÚBLICO, José Verdasca foi cristalino ao acusar os professores de não quererem mudar as práticas e ao afirmar que “a retenção não tem valor pedagógico e que um aluno que reprova provavelmente, no ano seguinte, terá níveis mais baixos de proficiência“. Sendo óbvio, dada a centralidade do plano na acção do Governo, que esta doutrina não é só de José Verdasca mas também do Governo, não seria menos pérfido e menos cobarde declararem por decreto o fim das reprovações?
Enquanto isto, a economia patenteia resultados miseráveis, completamente opostos aos prometidos pelo plano macroeconómico que António Costa sacralizou. As finanças estão ligadas ao suporte mínimo de vida do BCE. O colapso bancário é refém periclitante da generosidade da DBRS. A decisão do BCE sobre a CGD vexou Portugal e alguns cidadãos, arrastados num vórtice de vergonhosa incompetência e inaceitável desleixo. O investimento público de 2016 é inferior ao de 2015. O PIB cresceu um terço do previsto. A dívida pública aumentou. A “limpeza” de 120 dirigentes técnicos do IEFP passou de fininho, excepto para os 10 que recorreram aos tribunais. O caso Lacerda Machado, o melhor amigo de António Costa, que por isso mediou informalmente negócios de Estado, já lá vai. Outros três amigos, secretários de Estado protagonistas do escândalo Galp, foram aninhados no limbo do esquecimento a Carlos Martins, quinto amigo, secretário de Estado do Ambiente, com residência habitual em Cascais, que recebia um subsídio só devido a quem residisse a mais de 150 quilómetros de Lisboa.
Apesar de tudo isto, há quem bata palmas e eu não? Porquê? Porque, como diria Woody Allen, conheci o PS antes de ser virgem!

Professor do ensino superior

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Os cinco anéis


Alberto Gonçalves – Revista Sábado

Primeiro anel. Além de parecer bom moço, Michael Phelps é, de certeza e de longe, o maior atleta da história do desporto. A carreira que agora encerrou só não é inacreditável porque está minuciosamente registada. Fosse português e arranjaria uma hérnia discal graças a tantas comendas.

Segundo anel. Os resumos diários da "prestação" portuguesa dizem imenso sobre a nossa célebre "identidade". Durante 10 ou 15 minutos, inventaria -se o desempenho dos atletas indígenas de modo a parecer que estiveram quase, quase, quase a conseguir grandes proezas. O "quase" é aqui fundamental, já que as proezas nunca acontecem. É um rol interminável de desistências, vitórias morais, brilhantes sétimos lugares, desculpas esfarrapadas, desculpas impecáveis, favoritos que se ficam pelos fundilhos da classificação e desastres tão espalhafatosos que nem o "jornalismo" patriótico consegue encontrar atenuante. Para quem levar estas coisas a sério, é deprimente. Para os outros, entre os quais me incluo, é uma galhofa.

Terceiro anel. Consta que o problema português é a popular "falta de condições". Do alto dos seus luxos, o Quénia e a Etiópia discordam: o problema é a falta de jeito. Em 120 anos de olimpíadas, não há maneira de admitir simplesmente que, tirando meia dúzia de indivíduos excepcionais, não nascemos para isto. Tudo somado, Portugal juntou 24 medalhas em 29 JO (4 de ouro), o que nos eleva um bocadinho acima do Taipé Chinês e um bocadinho abaixo de Michael Phelps. É grave? Absolutamente nada. É só absurdo perpetuar o equívoco. E é ridículo fingir que um "bronze" ou dois, celebrados como se fossem o Segundo Advento, o desfazem.

Quarto anel. Os relatos televisivos das participações portuguesas são um delicioso wishful thinking. Numa prova de natação, à entrada da última piscina, o excitado comentador garantia que a nossa compatriota ia "muito bem". Ia em penúltimo, e em penúltimo permaneceu. É uma das vantagens do patriotismo: confunde-se facilmente com a inocência das crianças. Já o patriotismo emprestado é uma completa idiotia. Noutra prova aquática, exigia-se que "todos torcêssemos" pelo concorrente brasileiro. Preferia torcer o pescoço ao comentador: a que propósito me interessaria especialmente a vitória de um brasileiro por oposição, digamos, à vitória de um peruano, belga ou senegalês? A língua comum? Sob esse belo "argumento" eu seria "irmão" da dona Dilma, dos "comediantes" da Porta dos Fundos e de Ivete Sangalo. Antes ser mudo, e, como abençoadamente acontece, filho único. Já é castigo suficiente partilhar a Pátria com as gémeas Mortágua.

Quinto anel. De Berlim, 1936, a Munique, 1972, os JO possuem um belo historial de anti-semitismo. Rio, 2016, honra a tradição através dos assobios à delegação israelita na cerimónia de inauguração, do judoca egípcio que recusou cumprimentar o adversário (israelita, escusado dizer), do judoca saudita que fingiu uma lesão para não defrontar um possível adversário (israelita, claro) e da delegação libanesa que impediu a congénere (israelita, imaginem) de partilhar o autocarro. Em tempos tão atentos ao "racismo", o racismo sem aspas passeia alegremente.

O BOM
Ninguém segura esse país
As boas notícias não param. Agora é a revelação de que há cinco universidades portuguesas entre as 500 melhores do mundo. Em breve, será divulgado que temos seis laboratórios científicos entre os 800 mais modernos, sete cidades entre as 1.400 mais bonitas, oito restaurantes entre os 3.150 mais categorizados, nove aviões entre os 24.000 mais eficazes no combate aos fogos, um Governo entre os 200 mais espectaculares e 10 milhões de pessoas entre os sete mil milhões mais fascinantes.

O MAU
Cantando e rindo
Segundo especialistas e politólogos – "especialistas" e "politólogos" são sujeitos que acham o dr. Costa, homem talvez alfabetizado, um portento de inteligência –, o discurso de Pedro Passos Coelho no Pontal peca por falta de entusiasmo face ao radioso futuro que nos espera. Pelo contrário, PPC exibiu um pessimismo que faz dele o maior desmancha-prazeres em actividade. E, fora e dentro do PSD, das raríssimas vozes lúcidas num País definitivamente convertido ao lema da Mocidade Portuguesa. Lá vamos. Mas não vamos longe.

O VILÃO
Estupidez sem fronteiras
Em cooperação com o Turismo de Portugal, com o apoio da GNR e sob protecção de uma inacreditável lei, o INE anda a interceptar automobilistas (e a perturbar o trânsito) junto à fronteira para responder a um inquérito sobre turismo internacional. A coisa, que além da identificação dos passageiros, inclui perguntas sobre escolaridade, gastos no destino e o que calha, é obrigatória. Cada cidadão que responda com sinceridade e empenho a tamanho abuso merece ser enxovalhado pelo Estado todos os restantes dias da sua tristíssima vida.